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quinta-feira, 28 de outubro de 2021

AMOR E SEXO NA MITOLOGIA

 


            Na mitologia greco romana, as referências aos deuses portadores de sexualidade são intensas. Entre ele Pã, Priapo, Dionísio, Zeus, Apolo, Eros, Hera, Deméter, Afrodite, além dos Silenos e Centauros. Cada uma dessas divindades representa uma forma de iniciação à sexualidade. Trata-se de um modelo de fantasia pelo qual é possível experimentar as várias modalidades do instinto sexual. 

           O culto a essas divindades e os ritos iniciáticos realizados em seus templos são vividos como mistério do masculino e do feminino. Eles retratam a aquisição do conhecimento sobre a vida e a morte, implicando na transformação da consciência e respeito  da sexualidade. 

           Na nossa cultura religiosa judaico-cristã, não dispomos de uma imagem divina como exemplo a ser seguido na iniciação sexual. Na mítica cristã, por exemplo,a figura de Cristo apresenta-se totalmente destituída de afetos, ideias ou atitudes sexualizadas. No mito judaico-cristã, o surgimento de um novo padrão de consciência e a tomada de conhecimento do poder criador, soba forma da descoberta da sexualidade por Adão e Eva, configuram realidades a eles interditadas. Eles descobrem a sexualidade  e seus poderes sem a permissão do deus criador. Na simbologia, depois de comerem a maçã e acordarem para um novo tempo, homem e mulher se descobrem nus e se envergonham. Comer o fruto proibido da árvore do conhecimento representa descobrir em si mesmo  a capacidade para conceber outro ser à sua imagem e semelhança. Naquele momento, homem e mulher unidos descobrem-se como criatura e criador. 

             Saber que somos seres sexualizados e, portanto, com competência para gerar outro ser semelhante a nós mesmos nos confere poderes temerários que demandam um padrão de consciência alicerçados na condição reflexiva. A capacidade de questionar a si mesmo colocando-se no lugar do outro. 

         O conhecimento consciente da sexualidade representa a entrada de um grandioso quantum de energia que se traduz por um estado de confusão mental, permeando sentimentos dispares: prazer, medo, vergonha, etc. Durante as transformações da adolescência, ritos iniciáticos são necessários para aprender lidar com esse fenômeno tão pouco compreendido. A masturbação é o modo mais prático que permite conhecer os instintos sexuais, desejos e o próprio corpo.

            O corpo denuncia o sofrimento da alma. O estudo das manifestações mórbidas da psique; a psicologia demonstra que a grande maioria dos distúrbios orgânicos expressa tentativas de solução ou disfarces para os conflitos internos. Muitos dos sintomas corporais são mensagens ou expressões da psique e podemos encontrar neles um significado simbólico. É possível facilmente constatar que esses distúrbios estão ligados à negação ou representação da sexualidade. 

           Em um ciclo de conferências da Universidade Ford-ham, em Nova Iorque, em setembro de 1912, Jung propõe que a etiologia da neurose não seja mais buscada no passado, em desejos sexuais infantis reprimidos, mas no presente, convertendo a neurose  em um malsucedido ato de adaptação às dificuldades atuais. A psicologia junguiana utiliza os mitos como recursos de ampliação de materiais psíquicos. 

         A  TPM - tensão pré-menstrual, síndrome caracterizada  por retenção hídrica e alterações humorais, pode ter seu sentido simbólico ampliado pela dinâmica de Dionísio, deus da orgia, do êxtase, da embriaguez, do prazer, da fertilidade, mas também do úmido e do quente (contrates), cultuada por todos e cada  manifestação cotidiana de festejo pela vida. Quando, ao contrário, ele é negado pela rigidez de nossas estruturas sócio-culturais (como inflexibilidade ou condutas obsessivo-compulsivas), simbolicamente se manifesta pelo "enlouquecimento do corpo", pela irritabilidade, por dores físicas, etc. 

           A grande deusa Deméter, perseguida por Poseidon, metamorfoseia-se em égua e é violentada pelo deus cavalo. Deméter concebe dois filhos desse encontro: o filho cavalo Árion e a filha Despoina (ou Despina) que significa neve, frieza, algo gélido, expressão incontestável do seu feminino ferido. O único lugar onde Despoina pode ter seu nome pronunciado é nos ritos de Elêusis, dentro do recinto sagrado. Desse relato mítico é possível inferir que a frigidez feminina é decorrente de abusos, violência explícita ou de caráter estritamente emocional. 

          Pã, deus da floresta e dos campos, que deu origem á palavra "pânico", é abandonado pela sua mãe Filira, que fora violentada  por Crono. Pã é levado pelo pai ao Olimpo, onde é criado e recebe dotações de todas as divindades. Pã desce à Terra e, desejoso de companhia, fica a observar as ninfas. Para atraí-las toca divinamente sua flauta doce. Quando fascinadas, as jovens se aproximam e ele sai de trás dos arbustos, se mostra por inteiro e corre em direção a elas. Era um jovem belíssimo da cintura para cima, mas  excitado pela presença feminina, exibe seu pênis de cavalo com tamanho descomunal. As ninfas, ao vê-lo, fogem "em pânico" - o que sugere uma problemática sexual no cerne dessa síndrome. 

          Dafne, inca da beleza espetacular, atrai Apolo que se apaixona por ela e tenta seduzi-la. Em um primeiro momento, a jovem ignora a presença divina, mas Apolo insiste e Dafne foge  desesperada. Para enganá-lo transforma-se em fêmeas de muitas  espécies de animais. O deus não desiste e a persegue também metamorfoseado na forma animal de machos correspondentes às fêmeas. Por fim Dafne, exaurida pelo assédio, implora que seu pai, o rio Peneu, a transforme em uma árvore - o Loureiro. Apolo, não podendo possuí-la, arranca-a do solo, leva-a para seu jardim e faz de seus ramos e folhas uma coroa de louros, mantendo-a como eterna prisioneira. Nesse caso, a casca e o tronco da árvore podem ser vistos como a armadura protetora usada pela ninga contra os desmandos da sexualidade. Aqui temos a simbologia dos aspectos psicológicos da obscenidade, em especial suas relações com a sexualidade. 

           Zeus, o divino deus Olímpico, amou Métis, a deusa da prudência, que concebeu uma filha, Atena. Alertado, entretanto, por um oráculo de que, se tivesse um segundo filho com aquela deusa, o menino seria maior que o pai. Então, para garantir seu lugar de deus supremo, devorou Métis, ainda grávida da primeira filha. Entretanto, a gestação da deusa Atena continuou no corpo de Zeus. Muito tempo se passou até o dia em que ele foi assolado por uma insuportável dor de cabeça. Nada conseguia amenizá-la. Desesperado, procurou seu outro filho Hefeso, o deus artesão das forjas, pedindo-lhe ajuda. Hefeso então criou o machado com o qual cortou a cabeça de Zeus. Nesse instante surgiu Atena, adulta,  com 21 anos de idade, vestida e armada, soltando um grito de guerra em defesa do pai. 

           Ao nos servirmos dessa realidade simbólica podemos olhar para nós mesmos, compreendendo e elaborando melhor os distúrbio da nossa própria sexualidade. 

Nicéas Romeo Zanchett 

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segunda-feira, 25 de outubro de 2021

A IMPOTÊNCIA SEXUAL E OS AFRODISÍACOS

 


            Desde que o homem surgiu na terra foi vítima da impotência sexual. E, justamente para fugir deste fenômeno, ele procurou  nos vegetais simples ou compostos, condimentos e substâncias estimulantes, um paliativo para o mal de origem orgânica. Para aumentar a potência sexual, inventou-se toda uma farmacopeia natural de beberragens e receitas "infalíveis" e supostamente capazes de garantir a ereção. A ciência de hoje prova - e os homens  sabem disso desde sempre, que tais soluções milagrosas só funcionam  para disfunções de ereção de origem emocional. A pimenta, por exemplo, só serve para abrasar a mucosa da boca, esquentar  o trato digestivo e inflamar as hemorroidas. Para quem não sofre  de nenhuma disfunção, especiarias como canela, cravo, ginseng, catuaba, etc., podem no máximo dar suporte psicológico à libido e enriquecer os preparativos para a festa dos sentidos. 

            A verdade é que a manutenção da ereção depende diretamente  de uma boa saúde. E aí entra o fluxo sanguíneo  que depende de um bom coração que bombeia o sangue por veias desobstruídas; pois o pênis só fica ereto quando está cheio de sangue. Uma boa saúde depende de uma boa alimentação, descanso em noites bem dormidas, ar puro para oxigenar o sangue e por aí vai. 

             As recentes novidades da medicina como o famoso Viagra não resolve o problema da impotência; apenas provoca e prolonga a ereção atuando diretamente no fluxo sanguíneo. Por outro lado, é preciso ter boa saúde para usá-lo, e sempre com orientação de  um médico, pois é perigosíssimo. 

Nicéas Romeo Zanchett 

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sexta-feira, 22 de outubro de 2021

O DESRESPEITO À VIRGINDADE DA MULHER

 

                O desrespeito à mulher é secular e mesmo nos dias atuais, em muitos lugares, elas ainda são consideradas propriedade dos homens. 

            Muitas das populações primitivas, semi-bárbaras e até mesmo totalmente selvagens, valorizam a condição virginal da mulher, chegando a exigi-la para o casamento, ou pelo menos a festejá-la quando encontrada. 

             Certos povos africanos tinham o costume bárbaro de costurar os  lábios da vulva das virgens (infibulação) a fim de fechar o orifício da vagina até o matrimônio, momento de desfazer por incisão a ligadura ou acolamento dos tecidos. Esta era também a providência usada por beduínos da planície Bejuda, ao norte de Chartum. Fatos como esses aconteceram em múltiplas regiões da Rússia, Lituânia, Finlândia, Portugal e outros países antigos.

            Entre os povos africanos da Núbia, Angola, África Ocidental e outros, o marido podia repudiar a esposa não virgem ou, nesse caso, receber uma espécie de indenização sob forma  de haveres, principalmente gado (bois e vacas). 

              Por outro lado, também levados pela selvageria e ignorância, muitos povos tinham o costume de contratar estranhos para o defloramento de suas virgens que eram conhecidos como "perfuradores" experientes. Assim era entre os visayas ou bisayas, nas Filipinas e na Nova Caledônia. Eles consideravam que as mulheres não disvirginadas eram indesejáveis por algum motivo oculto, qualquer defeito ou  má qualidade, que faziam com que não fossem desejadas por ninguém. Visava, pois, o desvirginamento pré-matrimonial ao preparo da esposa para poder dar ao marido. Outros povos interpretavam o defloramento das virgens como oferenda da sua condição aos deuses através de seus representantes, os sacerdotes ou feiticeiros. Assim procediam certos povos negros da Senegâmbia, os Acowaschen e Kumares na América, os índios na Nicarágua e também indianos e habitantes de Malabar.

            No Camboja o defloramento era feito pelo sacerdote com o dedo mergulhado em vinho, com o qual, depois, praticava unção na fronte, seguindo-se a sua ingestão pelos pais e parentes da noiva. No Egito havia também este mesmo costume, mas o defloramento da noiva era praticado pelo marido e com o dedo  envolto em lenço de musseline branco, seguindo-se a sua exibição aos pais e convidados. O mesmo aconteci na ilha de Samos, segundo testemunho de St"ubel e de Kramer em obras de 1896 e 1903 respectivamente. 

             A exposição de roupas ensanguentadas da noiva ou dos lençóis, após a primeira noite nupcial, como prova do defloramento pelo coito, dominou muitos povos primitivos até o século 16. Isso também era um costume recente na Itália. 

              Certas tribos índias do canadá: iroquezes, hurons, algonquins tinham um costume que consistia na obrigação do casal de jovens permanecer sem contato sexual durante um ano, ou mais, apesar de regularmente unidos pelo ritual do casamento. Já as raparigas do Tibete tinham ostensivo brio sexual e usavam no pescoço tantos colares quantos amantes tivessem tido, e isto para elas era motivo de muito orgulho. 

              São inúmeros os grupamentos humanos não civilizados, no passado ou no presente, estimando ou não a castidade pré-matrimonial das mulheres. Entretanto, nada ultrapassa a maravilhosa inventiva das "mil e uma noites" de Sheherazade e Shahrigar, o sultão que, para tem certeza de que não seria traído, mandava matar no dia seguinte toda aquela com a qual passasse a noite. Conta-se que Sheherazade, a bela filha do seu grão-vizir, a fim de escapar à morte, entreteve o sultão por mil e uma noites com suas atraentes histórias. Sabe-se hoje que se trata de lendas de origem persa e hindu. 

            Retrata a luxuosa vivência com as mulheres o ardoroso poema "Jardim Perfumado" que, à semelhança do kama-Sutra indiano, recomendava nada menos que vinte e cinco posições para o coito perfeito. 

               Em várias regiões arábicas era praxe que o marido realizasse o defloramento da esposa na noite nupcial enquanto convidados e parentes conversavam no quarto ao lado. Legislava também neste sentido o Alcorão, livro sagrado: "Quando possuirdes uma virgem, fazei reunir na câmara vizinha amigos..." Também era costume, após a noite de núpcias (geralmente em sete noites de ritual, levar a roupa ensanguentada da cama aos pais da moça, proclamando com orgulho e satisfação: "Que Alá purifique as vossas faces, de fato, mantiveram pura a vossa filha..." Caso, entretanto, a jovem não fosse presumida virgem, poderia o noivo repudia-la, ou pelo menos receber de volta a soma do seu pagamento feito à família. 

      No mundo árabe, geralmente por motivos religiosos, a vida das mulheres continua complicada. Não obstante dominados pelas delícias do convívio sexual, os homens arábicos jamais  se libertaram do mau juízo que sempre fizeram das mulheres, atribuindo-lhes inclinação inata para a mentira, infidelidade, cupidez e astúcia.ç Felizmente temos sinais de que isso está mudando, embora lentamente. Muitos ainda adotam a reclusão rigorosa e sua permanente vigilância de suas parceiras. Reza neste sentido  o Alcorão, a Bíblia  islâmica onisciente, atribuindo aos próprios  maridos a responsabilidade da escolha das esposas: "Mulheres honradas devem ser sempre obedientes, leais e reservadas". A condição essencial das moças árabes para o casamento ou separação por venda é a virgindade. A jovem desde cedo sabe que dever guardar seu "tesouro da castidade" e quando encontra seu pretendente proclama ameaçadoramente: "Sou virgem por Alá".  Não escapou, entretanto, a sabedoria do Alcorão que, certas vezes, pode-se relevar a fraqueza de uma virgem inculta: "Se quiserdes perdoar a uma rapariga que vos enganou com uma falsa  virgindade, eu o permito..." ou, mais especificamente ainda: "Se for uma mulher com a qual tiverdes contratado casamento, repudia-a imediatamente; mas, se for uma rapariga que vós tiverdes comprado à sua família, ou a um mercador, ou ainda adquirido na guerra, fechai-a sozinha nos seus aposentos durante o espaço de duas luas. Que ela não possa ver ninguém, nem comunicar-se com qualquer pessoa durante esse tempo. Perdoai-lhe em seguidanão voltando nunca mais a falar no assunto". 

           Quando o defloramento de filha solteira ou sua gravidez se tornava conhecido do pai, (no passado) poderia o fato levá-lo à morte; mais comumente nos nossos dias provoca sua exclusão de casa, seguida de inexorável vingança da família sobre o sedutor ou a um membro feminino de sua família. A violência não poupava  ninguém. Basta pensar que poderia consistir em decepar-lhe as mãos.  

          Ainda hoje, donzelas árabes devem sempre conservar os olhos baixos na presença de homens. Proíbe o Alcorão que as mulheres exibam a sua beleza física, determinando que as vestes  recubram todo o seu corpo, ou melhor. "tudo o que se acha acima dos joelhos e abaixo do umbigo..." Belos cabelos ou longas tranças constituem, para os pretendentes, os maiores atrativos das jovens, cujos rostos e bocas devem sempre permanecer ocultos por véus. O resultado disso é que, "a revelação de qualquer pequena parte do corpo torna-se repleta de significado erótico" inclusive  as mãos, cujo simples contato, ao serem seguradas, têm expressivo significado sensual. Também a circuncisão masculina era obrigatória e recomendada no Alcorão antes do casamento. Em certas tribos de beduínos, como prova de bravura, os jovens praticavam o sacrifício de verdadeiro escorchamento da pele, abrangendo o ventre, a partir do umbigo, incluindo o escroto e faces internas das coxas. Atualmente este costume já não existe; foi proibido pelo governo da Arábia Saudita.  Quando as mulheres, em certas tribos, praticava-se também a excisão do clitóris e grandes lábios vulvares, como se fazia no Egito, Núbia, Abissínia, em algumas áreas do Sudão e múltiplos agrupamentos selvagens africanos. Ainda hoje, em alguns lugares, esse horror continua acontecendo. 

           Tudo isso decorre da afirmativa de propriedade da mulher pelo homem, aliada à satisfação de sua vontade quanto a não ser comparada com antecessores no primado sexual de sua virgindade. Enquanto os ser humano permanecer ignorante, respeitando e praticando religiões com pregações absurdas, esses crimes contra as mulheres, em maior  ou menor grau, continuarão acontecendo. Felizmente, muito dessa ignorância secular está sendo revista e abolida em várias partes do nosso pequeno mundo. Cada um de  nós tem o dever de informar esses fatos absurdos, mas tão recentes, a todas as pessoas. Só assim poderemos vislumbrar a completa liberação das mulheres. 

Nicéas Romeo Zanchett 

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COISAS QUE OS HOMENS ODEIAM NA MULHERES

 



   Esta é apenas uma pequena lista das coisas que os homens odeiam nas mulheres. 

Mulheres vulgares;

beijar mulher com lábios pintados;

Mulher com cheiro de cigarro; 

Mulher que pede seu carro preferido emprestado; 

Sempre ter que ouvir o que a mulher pensa;  

Mulher que está sempre ocupada na hora do telefonema; 

Mulher que não tem vergonha de contar o que faz na cama; 

Mulher que dá telefonema de forma desconfiada;

Mulher que costuma dar chilique ou histeria; 

Mulher com complexo de superioridade, que se acha uma joia rara;

Ter sempre que transar enlouquecidamente para agradá-la;

Mulher que transa com seus amigos; 

Mulher que gosta de mimá-lo em público; 

Mulher que quer compromisso sem sexo; 

Quando ela está usando máscara de beleza; 

Quando ela usa meias difíceis de tirar na hora H; 

Mulher com excesso de humor; 

Aquela que é muito difícil de conquistar - cansa e desiste; 

Mulher que vive de dieta;

Mulher com músculos de halterofilista; 

Aquela que sempre quer discutir a relação;

Jantar num restaurante de comida light que tem preços absurdos;

Aquela que não sabe a hora de parar de beber; 

Mulher que se acha super especial; 

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quinta-feira, 21 de outubro de 2021

FALANDO DE SEXO COM AS CRIANÇAS

 

          Já vai longe o ideal educativo do resguardo da "pureza" e da "inocência" da criança diante daquilo que era maliciosamente tratado pelos pais como segredos da vida. A psicologia moderna considera como desejável um "acerto" de noções que ela deve ter sobre a sexualidade humana. 

            Antes de tudo é bom ficar bem claro que os pais devem sempre ter uma resposta pronta para quando o filho lhe fizer uma pergunta "embaraçosa". É preciso ter a consciência de que educar não é esconder a verdade, e os pais devem aprender para saber ensinar. Se sua resposta não for convincente, seu filho um dia irá buscá-la na rua, e certamente aprenderá de forma errada. 

            Para os pais, muitas vezes, torna-se difícil responder às perguntas da criança a respeito de assuntos com AIDS,estupro, violência sexual, sexo, nascimento, morte, etc. O mais importante é que não fiquem preocupados em dar respostas absolutamente certas, mas sim significativas. A criança que pergunta só quer tirar alguma dúvida, mas não está interessada em detalhes. O futuro das crianças de exige que elas sejam muito mais  do que apenas seguras e ajustadas. É com diálogo sincero que se pode ajudar os filhos aprenderem o verdadeiro sentido da vida.

           Muitos pais pensam que educação sexual é aquela "conversinha" que obrigatoriamente algum dia terá com o filho ou filha adolescente. Acham que o importante é alertar os meninos para os perigos das doenças sexualmente transmissíveis e as meninas sobre os riscos de uma gravidez indesejada. A verdadeira educação sexual começa muito mais cedo, na verdade, com as atitudes dos pais em relação a sua própria sexualidade. Qualquer que sejam os sentimentos em relação ao próprio corpo e ao do companheiro, podem ser percebidos pela criança. Uma simples conversa sobre reprodução de plantas ou animais; as conversas e atitudes com os amigos; a maneira como encaram suas trocas e relações, serão transmitidas naturalmente às crianças.  

            É preciso levar em conta que desde cedo existe uma forma de sexualidade em seu bebê, que pode ser no simples ato de amamentação. Embora diferente do adulto, o prazer que a criança está preparada para sentir em todo o seu corpo, desde o nascimento, é de natureza sexual. 

             Durante os primeiros meses de vida, é através da boca que a criança estabelece os seus contatos com o mundo. O seio da mãe não é somente sua fonte de alimentação, mas também de alegria e bem-estar.

          Um garoto de três anos que observa a mãe enquanto toma banho ou banha a nova irmãzinha, presta atenção em todas as suas atitudes. Ele observa, também, que "naquele lugar" a irmãzinha não tem nada; fica logo imaginando que deve haver algum problema. Se ele fizer uma pergunta e a mãe silenciosamente ignorar, a dúvida ficará "martelando" na sua cabecinha. Este pode ser um ótimo momento para iniciar os esclarecimentos sobre  a sexualidade humana. Ela tem direito de saber, por exemplo, o nome dos órgãos genitais de ambos os sexos. Uma criança nunca poderá vir a entender o mecanismo da reprodução se, de início, não lhe for possível nomear os órgãos que exercem esta função. É sempre importante escolher nomes que não sejam complicados e nem pejorativos. Ex: pipi, saquinho,a conchinha da irmãzinha, etc. Se a mãe tiver alguma dúvida sobre os nomes que costumam ser usados na sua região, procure saber como os filhos dos seus amigos os chamam. 

             Toda a criança tem necessidade de sentir-se amada, e esta carência precisa ser satisfeitas com amor, carinho e elogios. Caso isso não aconteça ela pensará que existe algo em si que não merece amor. 

             A educação sexual de toda a criança, também passa pela auto-exploração do próprio corpo. Para que seus órgãos sexuais não lhes sejam estranhos durante toda a vida, é preciso que ela toque neles. Se não o fizer, toda a sua evolução poderá ser prejudicada, pois o que não pode tocar ela também não poderá compreender. Se for deixada à vontade em suas investigações, o bebê, à medida que cresce, vai descobrindo no toque de seus órgãos sexuais, uma espécie de brinquedo agradável e tranquilizador. Esta fase,definida como onanismo ou auto-erotismo, voltará a surgir na adolescência, aí com características nitidamente genitais. Se os pais impedem ou castigam a criança que se auto-erotiza, ela passará a experimentar este prazer como algo proibido e às escondias. No entanto, é preciso observar que se a criança faz isso com muita frequência, pode ser porque está se sentindo negligenciada ou sem companhia. 

               O treino para higiene é uma das fazes mais difíceis, tanto para as crianças quanto para a mãe. Um treino errado dos hábitos higiênicos pode levar uma criança a pensar que tudo o que "fica lá embaixo" é ruim e não se deve fazer. A ideia de que o que é sujo é sempre mau e o que é limpo é sempre bom, pode levar a valorizações errôneas da própria pessoa ou de seus sentimentos. Se ela é forçada à higiene com grande rigor e castigos, pode comprometer sua capacidade de se expandir mais tarde.  Muitas vezes a dificuldade de uma mulher para o orgasmo está relacionada com esta fase. Também podem vir a ser adultos sexualmente violentos ou inseguros. Esta é uma fase muito sensível da formação da consciência cerebral.  Um passo importante no esclarecimento sexual é apontar a diferença entre os sexos. A principal curiosidade das crianças é saber por que o menino tem "pipi" e a menina não. A mãe pode simplesmente dizer que as meninas são diferentes, que tem apenas uma "conchinha" para fazer xixi e quando elas crescerem vão ter seios como os da mamãe, que servirão para alimentar seus filhinhos. Já os meninos quando crescerem serão homens fortes e amorosos para cuidar de toda a família. 

             A velha pergunta "de onde vem os bebês? deve sempre ser respondida com honestidade em qualquer idade. Um boa oportunidade  é quando a mãe está esperando um novo bebê. Entretanto, muitas vezes a criança não nota as transformações físicas da gravidez; nesse caso a mãe poderá chamar  sua atenção para o fato, a partir do momento em que o feto começar se mexer, dizendo, por exemplo, "mamãe está esperando um irmãozinho para você; ele sera seu amiguinho e juntos irão brincar muito" permitindo que a criança ponha a mão ou a cabeça em sua barriga para sentir os movimentos. A partir de então a criança terá sua curiosidade  aguçada e irá fazer muitas perguntas que a mãe deverá estar  preparada para responder. Mas isso se dará de forma lenta e a mãe terá oportunidade de "preparar a cabecinha da criança" para a chegada do novo bebê. Comece dizendo, por exemplo, "quando seu irmãozinho chegar você poderá ajudar a mamãe cuidar dele". Isso irá despertar amor e expectativa que a ajudarão responder às muitas perguntas. A criança precisa estar preparada para um farto que poderá transformar a sua vida. As perguntas são imprevisíveis e dependem da idade, desenvolvimento e sentimento dela. Uma dúvida muito comum entre elas é "por que só as mães podem ter  bebês?". Procure dar res´postas simples e sem detalhes como, por exemplo: "as mães são diferentes e tem barriga  que pode caber  bebês", você também já esteve dentro da minha barriga e papai e eu ficamos esperando você nascer"; "os bebês são pequeninos e precisam ficar na barriga por algum tempo até crescer um pouco e ficarem mais fortes". Nesta fase da vida o interesse da criança abrange apenas "o que e como?". Mas, em qualquer idade é importante que a ideia das relações entre o sexos esteja sempre associada ao amor entre os parceiros. "É por se amarem que papai e mamãe dormem juntos e tem bebês". 

             Quando o desenvolvimento da criança está se processando  normalmente, aos 3 anos já estará sabendo, por exemplo: a/que as crianças nascem da barriga da mãe; b/ que as meninas são diferentes dos meninos - elas parecem com as mães e eles com os pais; c/ que os meninos tem pênis e que às vezes fica ereto; d/que as meninas, quando forem adultas, também poderão ter bebês; e/ quer as meninas foram feitas para serem mamães, e que elas não tem pênis por serem diferentes, mas terão seios para amamentar seus filhinhos. 

             A criança que toma consciência de que um dia será adulto como os pais, tem grande curiosidade e quer vê-los, por exemplo, trocar de roupa, tomar banho, etc. É uma curiosidade inocente para saber como ela própria será quando for adulto. Esta relação, entretanto, vai depender, em grande parte, da atitude da família a respeito de algo que ainda embaraça, mesmo os pais mais esclarecidos. Muitos se confundem e não sabem como agir. Mas foi sua própria atitude, ao se ocultarem de algum modo quando trocavam roupa, que chamou sua atenção. Nesta fase a criança está muito atenta ás diferenças entre os sexos. Ficam imaginando  que os pais devem fazer alguma coisa diferente que ainda não lhe contaram. A curiosidade fica mais aguçada com a insistência dos pais para que ela "saia do quarto" ou "não abra a porta do banheiro" quando eles estão sem roupa. A situação é sempre um pouco difícil. O pai não pode, de repente, ficar nu diante da filha de 4 anos. Se ele tivesse assumido uma atitude natural desde o início, por certo não ficaria nesta situação penosa. Entretanto, a criança  tem direito de saber como são as mulheres e os homens adultos; de ter uma noção real do mundo, para poder se sentir bem nele: de saber que é parte importante das relações básicas da vida. Se isto lhe for negado só aumentará sua curiosidade e, tão logo tenha oportunidade, ela irá buscar essa informação de outra forma, muitas vezes perigosa.

            Os pais que acostumaram seus filhos a vê-los sem roupa de vez em quando, terão sua função de educadores muito facilitada. Mas é importante que isto aconteça desde o primeiro ano de vida.  Crianças que crescem assim, consideram a nudez dos pais como algo natural, obtém suas respostas e deixam de se preocupar com isso. Porém, esta naturalidade não deve ser forçada. Toda a criança é observadora e perspicaz, pois ela está descobrindo o mundo e as informações são importantes; ela sempre perceberá o constrangimento dos pais que apenas estão fazendo aquilo  para atender seu pedido. Quando os filhos não foram preparados desde os primeiros dias, é melhor não atender de imediato os pedidos mais constrangedores como, por exemplo: (para vê-los sem roupa), mas deixar que em outra ocasião ela os veja naturalmente sem que tenha pedido. 

            Muitos pais têm o tabu da nudez arraigado, mas não colocam nenhum obstáculo a respeito de terem seus filhos dormindo com eles no mesmo o quarto, apesar de todas as sérias implicações que esta atitude pode ter. Os cuidados devem ser redobrados. A criança não tem condições psicológicas, nem mesmo quando é bebê, de enfrentar o impacto da visão de um ato sexual. Tudo tem seu tempo certo. Embora possa estar pronta para receber muitas  informações que envolvam sexo, não está preparada para assuntos  íntimos que só dizem respeito ao casal. Se de todo for impossível um quarto só para a criança, ela deverá ter sua cama separada - ao menos por um biombo - da cama dos seus pais. 

           Ao entrar para a escola é importante que a criança já tenha satisfeito toda a sua curiosidade inicial pelos pais, que serão que serão seus principais orientadores e fonte de informações diante dos muitos mistérios da vida e do mundo. A partir do início escolar, a natural evolução intelectual da criança se encarregará de fazer com que estes assuntos percam sua atual predominância. Entretanto, não se deve esperar quer ela vá desinteressar-se totalmente deles, pois toda a pergunta é parte de sua formação. 

             Quando o filho atinge a adolescência, a maioria dos pais costuma deixar a tarefa de educação para os professores  que se dispõem a esclarecê-los. No entanto, não se deve esquecer  de que a adolescência é o segundo estágio do aparecimento das naturais curiosidades da criança. Suas interrogações surgiram há muito tempo. Pode ter sido, por exemplo, quando aos 3 anos a menina viu o amiguinho fazer "pipi"; e se naquela época seus pais  se furtaram a responder suas perguntas, pode estar certo de que ela buscou por outros meios satisfazer sua curiosidade. Agora, a um passo de se tornar adulto, a criança adolescente desinformada corre  riscos muito maiores. ela irá buscar informações junto a seus colegas que naturalmente não são as pessoas mais indicadas para tal tarefa. 

             Por tudo isso, é importante que a educação sexual do seu filho comece no primeiro ano de vida. 

Nicéas Romeo Zanchett 

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segunda-feira, 18 de outubro de 2021

OS FILHOS DO DIVÓRCIO


             O casamento era aquela instituição concebida para desafiar o tempo e o amor era uma aventura que se desenvolvia  além dele. A paixão viveria até a morte, lenta ou rápida. Todos, mesmo teoricamente, sabiam disso e aceitavam essas condições antes de casar. 

            A visão da relação amorosa durável e triunfante vem mudando a cada dia. As pessoas estão se unindo já pensando em como ficarão depois que a paixão acaber e estiverem separados. E, naturalmente, os bens materiais, que porventura adquirirem, é o primeiro item da lista de prioridades. Talvez fosse interessante  que, ao casar, pensassem também nos filhos que virão e como será a vida deles no caso de uma separação. 

          É inegável que as formas de vida moderna estão promovendo um aumento generalizado na fragilidade dos casamentos. É até mesmo possível que um índice relativamente alto de divórcio seja uma concomitante inevitável das modernas condições sociais em que os casais se vêem. 

            Nos casamentos que acontecem mais por necessidade emocional  do que por razões econômicas o risco de separação é provavelmente bem maior. Com o passar do tempo, o que dava prazer emocionalmente, pode tornar-se significativamente menos satisfatório e as razões para continuarem juntos tendem a parecer cada vez menores. Nessa situação, quando a atração romântica começa a evaporar e o amor não está mais presente, os parceiros passam a cultivar seus próprios egos de forma impressionante.  

              Quando as relações de um casal vão mal, nem sempre isto se deve exclusivamente a problemas de sexo. O mais provável é que as más relações, oriundas de diversos fatores, se reflitam também  na área sexual. É raro casais se darem perfeitamente bem em todas as áreas, mas o sexo continua sendo um fator determinante para a separação. 

             Vivemos numa sociedade em que cerca de metade dos casamentos serão desfeitos. Isto sugere um grave alerta para os possíveis problemas das crianças. A situação levanta outra questão que é o grande comprometimento da saúde mental dos filhos do divórcio. Muitos se tornam joguetes de ódio e de ressentimentos. 

            As "Varas de família" estão lotadas de brigas pela guarda dos filhos. A maioria dos casais que se divorciam procura, consciente ou inconscientemente, uma oportunidade para castigar o outro fazendo-o sofrer. Não importa como se sentirão os filhos, vencê-lo é uma questão de honra. Pela maneira como certas mães e pais reivindicam a posse deles, deixa evidente que a criança não é o principal alvo de interesse. A finalidade visada é mesmo castigar  o ex parceiro e conseguir dele as maiores vantagens financeiras possíveis. O ex-marido precisa pagar para garantir o convívio com os filhos. 

             Mães manipuladoras são tipos muito comuns. São mulheres  imaturas, que nunca admitem culpa; ficam ressentidas, sentido-se desprezadas ou abandonadas. O pensamento equilibrado é substituído pelo ódio. E, em seu desespero, ela procura ganhar a simpatia dos filhos falseando a verdade. Sua ambição e ódio não lhe permitem visionar que eles crescerão e então, inevitavelmente, ela cairá no descrédito de um filho adulto. 

           Um dos principais problemas dos filhos da separação é o afastamento do pai ou da mãe, fruto do arranjo típico de visitações quinzenais nos fins-de-semana e na metade dos períodos de férias. 

            A maior participação dos pais na vida dos filhos vem pressionando as mudanças no sistema jurídico. A busca para saber  quem é o mais capaz dos genitores tem sido uma prática cada vez mais comum na justiça. 

           Um novo perfil de família está surgindo. A guarda compartilhada parece ser a forma mais benéfica para os filhos de pais divorciados e é a tendência nas varas de família. A guarda dos filhos não é apenas da mãe ou do pai, mas compartilhada entre o casal. Entretanto, para que isso possa acontecer é preciso que os novos divórcios sejam emocionalmente maduros, economicamente  independentes e tentem fazer tudo para o bem das crianças. 

             A situação jurídica da guarda compartilhada tem duas vertentes. Na primeira delas, a criança passa um tempo com o pai e outro com a mãe, desde que haja proximidade da casa deles e do colégio. Na outra, há uma ampla convivência, sem visitas rígidas, e os pais tomam junto as decisões. 

           Para felicidade das crianças, muitos pais são diferentes e as mães compreendem que a convivência com o pai é fundamental para o equilíbrio emocional dos filhos. 

              A nossa constituição estabelece ser o sustento dos filhos  uma obrigação não só do pai como também da mãe. Felizmente o padrão de mulher que só pensa no dinheiro da pensão e usa os filhos como joguetes de uma insana vingança contra o ex-marido está em vias de extinção. 

              Quando a mãe, no momento da separação, não está trabalhando, os novos juízes costumam determinar uma pensão só por um ano, até que ela possa sustentar a si e aos filhos quando então pode haver uma revisão dos valores. Há sempre um consenso no qual a maioria dos menores fica com a mãe, mas o número de pais com guarda está aumentando. Sempre que esta situação for a melhor para a criança, o juiz  tende a dar a guarda ao pai, mas os cuidados psicológicos nunca podem ser esquecidos. Existem "pais" e "pais". Partindo dessa premissa, o pai candidato à guarda dos filhos deve antes passar por um rigoroso exame psicológico. Muitos, aparentemente normais, têm sérios problemas psiquiátricos e até dependência de álcool e outras drogas e, nessas condições, quem sofrerá as consequências será sempre a criança. 

             Por outro lado, hoje vemos pais altamente participantes. Em razão disso a ótica da lei  está mudando. O principal critério é a maior disponibilidade para os filhos, o laço afetivo mais profundo e, principalmente, o que realmente for melhor para a criança. O pai pode obter a guarda em caso de mãe negligente, que vive fora de casa e deixa os filhos sozinhos; mãe que usa a pensão alimentícia dos filhos em benefício próprio e não das crianças; mãe emocionalmente prejudicial às crianças.

            Outra questão que tem surgido nas varas de família é em relação ao direito de visitação dos avós que estão brigados com os pais e são impedidos de ver os netos. E, quando os avós são melhores do que o pai e a mãe para as crianças, o juiz pode até dar a guarda para eles. Em muitos casos até padrastos tem conseguido na justiça a visitação obrigatória de netos de criação e enteados. 

              A partir de 12 anos, quando por lei a criança é considerada adolescente, ela também pode ser ouvida para dizer com quem prefere ficar, desde que seja referendada pelo juiz. Neste caso a decisão é auxiliada pela avaliação de uma equipe de psicólogos e assistentes sociais. Muitas vezes o filho quer ficar com o pai porque ele é mais relaxado; deixa-o faltar às aulas, ficar diante do computador ou da TV e ir dormir na hora que quiser. A investigação analisa o motivo de cada escolha para buscar o melhor para garantir o bem-estar da criança. 

             Por tudo isso, antes de casar, pense também nos filhos que terão e como ficarão no caso de divórcio. Agindo assim você não irá contribuir para o aumento no número de desajustados do nosso mundo. 

Nicéas Romeo Zanchett 

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        Este artigo está na página 59 (volume 2) do livro AMOR E SEXO SEM PRECONCEITOS -


sexta-feira, 1 de outubro de 2021

A MENINA MULHER

 


         O abuso sexual de meninas transformou o Brasil num paraíso para a prostituição infantil. Só somos superados pela Tailândia. Diariamente vemos notícias nas páginas policiais, mas as punições são raras. 

              Para entender melhor as origens dos abusos sexuais praticados  pelos adultos contra meninas menores de 14 anos, precisamos olhar para séculos passados. Do Velho Testamento Judaico-Cristão até os códigos feudais, o estupro foi tratado como um ato contra a propriedade. As mulheres, objetos sexuais, eram consideradas propriedade dos homens. Quando alguma mulher era estuprada, o crime cometido era contra o homem, seu proprietário,  e a ele era pago uma eventual indenização. Naquela época muitas meninas casavam aos 13 anos e não tinham direito de escolher o parceiro com quem viveriam pelo resto de seus dias. Somente a partir do século XX é que se abriu a possibilidade de reconhecimento da individualidade da mulher e seus direitos femininos e infantis. 

               Em nossos dias, sempre que uma menina com menos de 14 anos é seduzida ou estuprada, surgem argumentos absurdos de que elas já não são mais ingênuas como no passado. Mas o fato de uma menina menstruar todo o mês, ter acesso irrestrito à informações, discutir a sexualidade e direito ao prazer com as colegas, não quer dizer que é capaz de escolher um parceiro de cama com o dobro de sua idade.  Saber o que é sexo é diferente de ter capacidade de decisão sobre sua vida sexual. Uma menina de 10 anos, precocemente amadurecida, pode ter aparência de 14 anos, mas é preciso considerar a sua verdadeira idade mental. Toda a adolescente tem enorme carência emocional, pois está numa fase de mudanças e precisa de atitudes coerentes  dos adultos. 

              Por volta de 123 anos, a menina está revivendo o complexo de Édipo feminino (como denominou Freud) ou Electra (como denominou Jung) e sua referência primordial é o pai, que ela ama incondicionalmente. Se esta fantasia da relação com o pai for atendia por um adulto, a menina se sentirá momentaneamente vencedora na competição com a mãe, mas logo cairá numa realidade para a qual não está preparada. Seu nível de  desordem psicológica interna é muito grande e mais tarde poderá sentir-se como a única culpada pelo abuso sofrido. E muitas vezes, na vida adulta, acabam rejeitando o sexo oposto. 

              É bem verdade que as meninas de hoje tem muito mais informação  sexual do que tiveram suas mães e avós, mas tudo deve ficar restrito à fantasia de sedução e nunca à prática. A sua vontade ou fantasia não corresponde ao seu desenvolvimento biológico, psicológico e social. É inaceitável que o adulto se prevaleça dessa condição para seduzi-la. Se prestarmos atenção veremos que a menina adolescente, que fala com naturalidade no uso de camisinhas, terá vergonha de ir à farmácia comprar um absorvente íntimo. Isto mostra claramente sua insegurança e dificuldade em relação à sexualidade e ao seu corpo em desenvolvimento.É muito natural que as meninas se fantasiem de adultos usando maquilagem e roupas como suas mães. Entretanto, isso pode estimular o desejo de adultos imaturos, psicologicamente doentes e incapazes de uma relação saudável com uma mulher no nível de sua idade; sem falar nas questões criminais que envolve. 

            Muitas mães, também sexualmente imaturas, acabam provocando a precocidade amorosa e sexual das suas filhas. São mães que não conseguiram resolver a tempo seus complexos de Electra e agora entram em competição com as filhas. Na maioria dos casos de abuso sexual, o agressor (criminoso) é conhecido ou até íntimo da família. De modo consciente ou não, a mãe se omite, sobretudo se depende afetivamente e/ou economicamente dele. 

            Segundo o código penal brasileiro, existe presunção de violência toda vez que um adulto tem relações sexuais com menor de 14 anos. Entretanto, num direito penal democrático, não pode haver pena sem culpa. Por outro lado, toda a presunção admite  a prova ao contrário, mas nenhuma presunção deve impedir os julgadores de investigar a culpabilidade do suposto criminoso. 

              É dever de cada adulto consciente, zelar pelo bem-estar e perfeito desenvolvimento dos adolescentes. Eles estão numa faze muito difícil e são facilmente ludibriados por adultos criminosos. Fique atento e denuncia sempre. Assim estaremos construindo uma sociedade mais justa e feliz.

Nicéas Romeo Zanchett 

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