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segunda-feira, 25 de outubro de 2021

A IMPOTÊNCIA SEXUAL E OS AFRODISÍACOS

 


            Desde que o homem surgiu na terra foi vítima da impotência sexual. E, justamente para fugir deste fenômeno, ele procurou  nos vegetais simples ou compostos, condimentos e substâncias estimulantes, um paliativo para o mal de origem orgânica. Para aumentar a potência sexual, inventou-se toda uma farmacopeia natural de beberragens e receitas "infalíveis" e supostamente capazes de garantir a ereção. A ciência de hoje prova - e os homens  sabem disso desde sempre, que tais soluções milagrosas só funcionam  para disfunções de ereção de origem emocional. A pimenta, por exemplo, só serve para abrasar a mucosa da boca, esquentar  o trato digestivo e inflamar as hemorroidas. Para quem não sofre  de nenhuma disfunção, especiarias como canela, cravo, ginseng, catuaba, etc., podem no máximo dar suporte psicológico à libido e enriquecer os preparativos para a festa dos sentidos. 

            A verdade é que a manutenção da ereção depende diretamente  de uma boa saúde. E aí entra o fluxo sanguíneo  que depende de um bom coração que bombeia o sangue por veias desobstruídas; pois o pênis só fica ereto quando está cheio de sangue. Uma boa saúde depende de uma boa alimentação, descanso em noites bem dormidas, ar puro para oxigenar o sangue e por aí vai. 

             As recentes novidades da medicina como o famoso Viagra não resolve o problema da impotência; apenas provoca e prolonga a ereção atuando diretamente no fluxo sanguíneo. Por outro lado, é preciso ter boa saúde para usá-lo, e sempre com orientação de  um médico, pois é perigosíssimo. 

Nicéas Romeo Zanchett 

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O SEXO DURANTE A MENSTRUAÇÃO

 


             A menstruação não é um obstáculo à vida sexual da mulher. Embora alguns casais não vejam com bons olhos as relações  sexuais mantidas durante o período menstrual, isso não passo de um tabu. Nem a mulher está indispostas nessas ocasiões, nem a sua capacidade de sentir prazer é menor; ao contrário, muitas se tornam até mais excitáveis. Dores de cabeça, cólicas, etc, são passageiras  e nem sempre acontecem. A ideia de associar as regras  femininas á impureza tem origem numa moral religiosa que não procede. Homem e mulher devem viver sua relação amorosa sempre que sentir vontade. Quanto ao que pode ou não pode ser feito em tais situações, depende do gosto pessoal de cada um. 

            A ideia de que as mulheres tem mais desejo quando termina  a menstruação, à priore, não tem fundamento. Para as mulheres  existem períodos distintos: o anterior e o posterior à ovulação.  Uma mulher que não esteja na meno pausa e nem sob efeito de pílulas anticoncepcionais segrega o hormônio conhecido como progesterona após a ovulação, o que pode motivá-la sexualmente. Mas este apetite sexual, comum a partir do quinto dia da menstruação, é sentido por muitas na segunda metade do ciclo. O mecanismo do desejo é complexo e não permite uma simplificação ginecológica; os hormônios são mensageiros entre os órgãos e as zonas de decisão da libido. Uma coisa é certa: a primeira  metade do ciclo, geradora do estrogênio, tem como função assegurar o amadurecimento do óvulo e preparar confortavelmente  a chegada  dos espermatozoides até o útero. Isso pode gerar a necessidade  mais intensa de fazer amor.

            Na verdade, o desejo das mulheres é imprevisível e cada caso é um caso. Não se pode analisá-las apenas pelo lado científico porque existem outros fatores gerados pelos sentimentos pessoais. 

Nicéas Romeo Zanchett 

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quinta-feira, 21 de outubro de 2021

FALANDO DE SEXO COM AS CRIANÇAS

 

          Já vai longe o ideal educativo do resguardo da "pureza" e da "inocência" da criança diante daquilo que era maliciosamente tratado pelos pais como segredos da vida. A psicologia moderna considera como desejável um "acerto" de noções que ela deve ter sobre a sexualidade humana. 

            Antes de tudo é bom ficar bem claro que os pais devem sempre ter uma resposta pronta para quando o filho lhe fizer uma pergunta "embaraçosa". É preciso ter a consciência de que educar não é esconder a verdade, e os pais devem aprender para saber ensinar. Se sua resposta não for convincente, seu filho um dia irá buscá-la na rua, e certamente aprenderá de forma errada. 

            Para os pais, muitas vezes, torna-se difícil responder às perguntas da criança a respeito de assuntos com AIDS,estupro, violência sexual, sexo, nascimento, morte, etc. O mais importante é que não fiquem preocupados em dar respostas absolutamente certas, mas sim significativas. A criança que pergunta só quer tirar alguma dúvida, mas não está interessada em detalhes. O futuro das crianças de exige que elas sejam muito mais  do que apenas seguras e ajustadas. É com diálogo sincero que se pode ajudar os filhos aprenderem o verdadeiro sentido da vida.

           Muitos pais pensam que educação sexual é aquela "conversinha" que obrigatoriamente algum dia terá com o filho ou filha adolescente. Acham que o importante é alertar os meninos para os perigos das doenças sexualmente transmissíveis e as meninas sobre os riscos de uma gravidez indesejada. A verdadeira educação sexual começa muito mais cedo, na verdade, com as atitudes dos pais em relação a sua própria sexualidade. Qualquer que sejam os sentimentos em relação ao próprio corpo e ao do companheiro, podem ser percebidos pela criança. Uma simples conversa sobre reprodução de plantas ou animais; as conversas e atitudes com os amigos; a maneira como encaram suas trocas e relações, serão transmitidas naturalmente às crianças.  

            É preciso levar em conta que desde cedo existe uma forma de sexualidade em seu bebê, que pode ser no simples ato de amamentação. Embora diferente do adulto, o prazer que a criança está preparada para sentir em todo o seu corpo, desde o nascimento, é de natureza sexual. 

             Durante os primeiros meses de vida, é através da boca que a criança estabelece os seus contatos com o mundo. O seio da mãe não é somente sua fonte de alimentação, mas também de alegria e bem-estar.

          Um garoto de três anos que observa a mãe enquanto toma banho ou banha a nova irmãzinha, presta atenção em todas as suas atitudes. Ele observa, também, que "naquele lugar" a irmãzinha não tem nada; fica logo imaginando que deve haver algum problema. Se ele fizer uma pergunta e a mãe silenciosamente ignorar, a dúvida ficará "martelando" na sua cabecinha. Este pode ser um ótimo momento para iniciar os esclarecimentos sobre  a sexualidade humana. Ela tem direito de saber, por exemplo, o nome dos órgãos genitais de ambos os sexos. Uma criança nunca poderá vir a entender o mecanismo da reprodução se, de início, não lhe for possível nomear os órgãos que exercem esta função. É sempre importante escolher nomes que não sejam complicados e nem pejorativos. Ex: pipi, saquinho,a conchinha da irmãzinha, etc. Se a mãe tiver alguma dúvida sobre os nomes que costumam ser usados na sua região, procure saber como os filhos dos seus amigos os chamam. 

             Toda a criança tem necessidade de sentir-se amada, e esta carência precisa ser satisfeitas com amor, carinho e elogios. Caso isso não aconteça ela pensará que existe algo em si que não merece amor. 

             A educação sexual de toda a criança, também passa pela auto-exploração do próprio corpo. Para que seus órgãos sexuais não lhes sejam estranhos durante toda a vida, é preciso que ela toque neles. Se não o fizer, toda a sua evolução poderá ser prejudicada, pois o que não pode tocar ela também não poderá compreender. Se for deixada à vontade em suas investigações, o bebê, à medida que cresce, vai descobrindo no toque de seus órgãos sexuais, uma espécie de brinquedo agradável e tranquilizador. Esta fase,definida como onanismo ou auto-erotismo, voltará a surgir na adolescência, aí com características nitidamente genitais. Se os pais impedem ou castigam a criança que se auto-erotiza, ela passará a experimentar este prazer como algo proibido e às escondias. No entanto, é preciso observar que se a criança faz isso com muita frequência, pode ser porque está se sentindo negligenciada ou sem companhia. 

               O treino para higiene é uma das fazes mais difíceis, tanto para as crianças quanto para a mãe. Um treino errado dos hábitos higiênicos pode levar uma criança a pensar que tudo o que "fica lá embaixo" é ruim e não se deve fazer. A ideia de que o que é sujo é sempre mau e o que é limpo é sempre bom, pode levar a valorizações errôneas da própria pessoa ou de seus sentimentos. Se ela é forçada à higiene com grande rigor e castigos, pode comprometer sua capacidade de se expandir mais tarde.  Muitas vezes a dificuldade de uma mulher para o orgasmo está relacionada com esta fase. Também podem vir a ser adultos sexualmente violentos ou inseguros. Esta é uma fase muito sensível da formação da consciência cerebral.  Um passo importante no esclarecimento sexual é apontar a diferença entre os sexos. A principal curiosidade das crianças é saber por que o menino tem "pipi" e a menina não. A mãe pode simplesmente dizer que as meninas são diferentes, que tem apenas uma "conchinha" para fazer xixi e quando elas crescerem vão ter seios como os da mamãe, que servirão para alimentar seus filhinhos. Já os meninos quando crescerem serão homens fortes e amorosos para cuidar de toda a família. 

             A velha pergunta "de onde vem os bebês? deve sempre ser respondida com honestidade em qualquer idade. Um boa oportunidade  é quando a mãe está esperando um novo bebê. Entretanto, muitas vezes a criança não nota as transformações físicas da gravidez; nesse caso a mãe poderá chamar  sua atenção para o fato, a partir do momento em que o feto começar se mexer, dizendo, por exemplo, "mamãe está esperando um irmãozinho para você; ele sera seu amiguinho e juntos irão brincar muito" permitindo que a criança ponha a mão ou a cabeça em sua barriga para sentir os movimentos. A partir de então a criança terá sua curiosidade  aguçada e irá fazer muitas perguntas que a mãe deverá estar  preparada para responder. Mas isso se dará de forma lenta e a mãe terá oportunidade de "preparar a cabecinha da criança" para a chegada do novo bebê. Comece dizendo, por exemplo, "quando seu irmãozinho chegar você poderá ajudar a mamãe cuidar dele". Isso irá despertar amor e expectativa que a ajudarão responder às muitas perguntas. A criança precisa estar preparada para um farto que poderá transformar a sua vida. As perguntas são imprevisíveis e dependem da idade, desenvolvimento e sentimento dela. Uma dúvida muito comum entre elas é "por que só as mães podem ter  bebês?". Procure dar res´postas simples e sem detalhes como, por exemplo: "as mães são diferentes e tem barriga  que pode caber  bebês", você também já esteve dentro da minha barriga e papai e eu ficamos esperando você nascer"; "os bebês são pequeninos e precisam ficar na barriga por algum tempo até crescer um pouco e ficarem mais fortes". Nesta fase da vida o interesse da criança abrange apenas "o que e como?". Mas, em qualquer idade é importante que a ideia das relações entre o sexos esteja sempre associada ao amor entre os parceiros. "É por se amarem que papai e mamãe dormem juntos e tem bebês". 

             Quando o desenvolvimento da criança está se processando  normalmente, aos 3 anos já estará sabendo, por exemplo: a/que as crianças nascem da barriga da mãe; b/ que as meninas são diferentes dos meninos - elas parecem com as mães e eles com os pais; c/ que os meninos tem pênis e que às vezes fica ereto; d/que as meninas, quando forem adultas, também poderão ter bebês; e/ quer as meninas foram feitas para serem mamães, e que elas não tem pênis por serem diferentes, mas terão seios para amamentar seus filhinhos. 

             A criança que toma consciência de que um dia será adulto como os pais, tem grande curiosidade e quer vê-los, por exemplo, trocar de roupa, tomar banho, etc. É uma curiosidade inocente para saber como ela própria será quando for adulto. Esta relação, entretanto, vai depender, em grande parte, da atitude da família a respeito de algo que ainda embaraça, mesmo os pais mais esclarecidos. Muitos se confundem e não sabem como agir. Mas foi sua própria atitude, ao se ocultarem de algum modo quando trocavam roupa, que chamou sua atenção. Nesta fase a criança está muito atenta ás diferenças entre os sexos. Ficam imaginando  que os pais devem fazer alguma coisa diferente que ainda não lhe contaram. A curiosidade fica mais aguçada com a insistência dos pais para que ela "saia do quarto" ou "não abra a porta do banheiro" quando eles estão sem roupa. A situação é sempre um pouco difícil. O pai não pode, de repente, ficar nu diante da filha de 4 anos. Se ele tivesse assumido uma atitude natural desde o início, por certo não ficaria nesta situação penosa. Entretanto, a criança  tem direito de saber como são as mulheres e os homens adultos; de ter uma noção real do mundo, para poder se sentir bem nele: de saber que é parte importante das relações básicas da vida. Se isto lhe for negado só aumentará sua curiosidade e, tão logo tenha oportunidade, ela irá buscar essa informação de outra forma, muitas vezes perigosa.

            Os pais que acostumaram seus filhos a vê-los sem roupa de vez em quando, terão sua função de educadores muito facilitada. Mas é importante que isto aconteça desde o primeiro ano de vida.  Crianças que crescem assim, consideram a nudez dos pais como algo natural, obtém suas respostas e deixam de se preocupar com isso. Porém, esta naturalidade não deve ser forçada. Toda a criança é observadora e perspicaz, pois ela está descobrindo o mundo e as informações são importantes; ela sempre perceberá o constrangimento dos pais que apenas estão fazendo aquilo  para atender seu pedido. Quando os filhos não foram preparados desde os primeiros dias, é melhor não atender de imediato os pedidos mais constrangedores como, por exemplo: (para vê-los sem roupa), mas deixar que em outra ocasião ela os veja naturalmente sem que tenha pedido. 

            Muitos pais têm o tabu da nudez arraigado, mas não colocam nenhum obstáculo a respeito de terem seus filhos dormindo com eles no mesmo o quarto, apesar de todas as sérias implicações que esta atitude pode ter. Os cuidados devem ser redobrados. A criança não tem condições psicológicas, nem mesmo quando é bebê, de enfrentar o impacto da visão de um ato sexual. Tudo tem seu tempo certo. Embora possa estar pronta para receber muitas  informações que envolvam sexo, não está preparada para assuntos  íntimos que só dizem respeito ao casal. Se de todo for impossível um quarto só para a criança, ela deverá ter sua cama separada - ao menos por um biombo - da cama dos seus pais. 

           Ao entrar para a escola é importante que a criança já tenha satisfeito toda a sua curiosidade inicial pelos pais, que serão que serão seus principais orientadores e fonte de informações diante dos muitos mistérios da vida e do mundo. A partir do início escolar, a natural evolução intelectual da criança se encarregará de fazer com que estes assuntos percam sua atual predominância. Entretanto, não se deve esperar quer ela vá desinteressar-se totalmente deles, pois toda a pergunta é parte de sua formação. 

             Quando o filho atinge a adolescência, a maioria dos pais costuma deixar a tarefa de educação para os professores  que se dispõem a esclarecê-los. No entanto, não se deve esquecer  de que a adolescência é o segundo estágio do aparecimento das naturais curiosidades da criança. Suas interrogações surgiram há muito tempo. Pode ter sido, por exemplo, quando aos 3 anos a menina viu o amiguinho fazer "pipi"; e se naquela época seus pais  se furtaram a responder suas perguntas, pode estar certo de que ela buscou por outros meios satisfazer sua curiosidade. Agora, a um passo de se tornar adulto, a criança adolescente desinformada corre  riscos muito maiores. ela irá buscar informações junto a seus colegas que naturalmente não são as pessoas mais indicadas para tal tarefa. 

             Por tudo isso, é importante que a educação sexual do seu filho comece no primeiro ano de vida. 

Nicéas Romeo Zanchett 

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domingo, 26 de setembro de 2021

PRESERVANDO A VIRGINDADE

 


      Hoje sempre ouvimos falar que os jovens estão iniciando a vida sexual prematuramente, mas para muitos não fazer sexo é uma opção. 

          Depois das pioneiras pesquisas de Bill Masters com pênis de plástico e dos remédios milagrosos que resolvem a impotência masculina, a ciência passou a olhar a sério para as práticas sexuais do Ocidente. A fisiologia feminina foi mapeada e cada vez mais se fala abertamente sobre sexo. 

            A pesquisa de Masters era basicamente sobre modos de medir a performance física. Ele transformou o orgasmo num direito também das mulheres. Mas na sociedade atual o orgasmo está deixando de ser um direito para se transformar  em dever. Com as milagrosas pílulas das relações sexuais, mesmo de forma mecânica, o sexo se transformou numa obrigação até para aqueles que não sentem desejo; e não sentir desejo também é um direito ou uma opção de cada pessoa. É intensa a propaganda e reportagens que tentam convencer a todos de que a mulher que não goza é menos mulher e que o homem que não tem múltiplos orgasmos é um incapaz. 

             Há casos em que a inapetência sexual se explica por problemas físicos ou psicológicos. No entanto, existem aquelas pessoas que não apresentam nenhum distúrbio catalogado pelos médicos  e mesmo assim não sentem desejo sexual. Uma hipótese para explicar esse tipo de comportamento assexuado é que a chave ativadora do centro cerebral da libido  não chega a ser ligada. Talvez seja um problema genérico, mas não existe nenhum estudo conclusivo a respeito dessa hipótese. 

         Ao longo da história humana, o modo como a sexualidade foi tratada variou muito. Já na época áurea de Roma o seu estadista Cícero (106 - 43 a.C.) citando Terêncio disse: "Sou humano, e nada que é humano me é estranho". Na Idade Média as freiras enclausuradas em conventos costumavam se privar do banho só para não terem um contato íntimo como próprio corpo.  Na década de 1960 houve o grande movimento de exaltação ao amor livre. Nos Estados Unidos e na Inglaterra de hoje, é cada vez maior o número de jovens que fazem questão de preservar a virgindade até o casamento. Um novo movimento batizado de "A-Pride", ou orgulho assexuado está ganhando força e já chegou ao Brasil e a diversas outras partes do mundo. Seus militantes ostentam orgulhosamente sua orientação sexual (ou falta dela) em camisetas e roupas íntimas estampadas com dizeres do tipo "Assexualidade não é apenas para ameba" "Sou assexuado, nasci assim e sou feliz". 

           Ser feliz é o objetivo maior. Cada um deve buscar a melhor forma de viver com felicidade e dignidade. Muitas pessoas em nenhum momento da vida desejam alguém sexualmente. Seu desinteresse por sexo não é uma questão de opção e nem dificuldade para encontrar um grande amor. Elas simplesmente não sentem desejo sexual e, portanto, não precisam dele para serem felizes.

Nicéas Romeo Zanchett 

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AMOR, DINHEIRO E SOLIDÃO


      O único motivo que justifica a união de duas pessoas é o amor e a emoção. Para manter essa união é necessário, antes de tudo, muita sinceridade, cumplicidade e compreensão. É preciso viver o dia-a-dia com muito interesse de se conhecer melhor e expandir as inúmeras possibilidades do corpo e da convivência. 
            Qualquer relação amorosa que seja condicionada e rotineira leva, inevitavelmente, ao desinteresse sexual.

         O orgasmo mútuo é o resultado espontâneo do encontro de dois amantes. É uma chama que precisa ser mantida, pois, do contrário o melhor é apagar e partir para outro relacionamento.  

          Após separar-se da mãe, o ser humano encontrou na união conjugal uma maneira para sentir-se amparado. Muitas vezes essa união é levada de forma robotizada, sem emoção e apenas para manter um casamento falido. O medo da solidão é tanto que as pessoas abrem mão de tudo e vão fazendo inúmeras concessões para manter uma relação estável e fria. 

            A quantidade de relacionamentos infelizes que continuam  sendo sustentados por puro medo ou falta de saída é enorme; são pessoas que vivem em casamentos péssimos e acham que é normal. O dinheiro vira sinônimo de amor e a vida do casal se torna uma grande e confusa mentira. 

             A maneira de dar, receber, gastar ou acumular dinheiro revela frustrações emocionais que se arrastam da infância por toda a vida.

           Existem pessoas que têm muito dinheiro, não conseguem gastar consigo mesmas e saem à procura  de alguém que nada lhe dará em troca. Mesmo com toda a sua generosidade, acaba sempre frustrado  e sentindo-se indigno de amor. 

           Comprar a felicidade não é uma forma saudável de se realizar. São situações mal resolvidas que acabam por tornar essas pessoas em sovinas e incapazes de dar afeto para alguém ou para si mesmo. 

            São muito comuns os casos de mulheres ricas, com baixa auto-estima, envolvidas com homens financeiramente falidos. O dinheiro é usado para esconder um profundo drama afetivo que muitas vezes tem origem na infância e na forma como seus pais lidavam com o vil metal.

          O importante é descobrir a tempo que dinheiro não é amor; pode trazer conforto e até algum prazer, mas a verdadeira felicidade  se conquista com saúde psíquica e não com uma polpuda conta bancária. Na verdade o dinheiro nunca é capaz de substituir  o afeto que necessitamos.

           O dinheiro seduz porque alimenta a ilusão de suprir as faltas e as necessidades emocionais, de sentir-se a salvo de contratempos da vida e de ser possível comprar a própria auto-estima. Relacionamento onde o dinheiro define tudo é uma forma de transformar as pessoas em objeto sem valor para provar seu poder sobre elas. 

            Estamos vivendo num mundo em que a estética material  prevalece sobre a da amizade, da solidariedade, do afeto e das emoções espontâneas. Muitos precisam, de todo o dinheiro do mundo para sentirem-se realizados. Isto expõe o verdadeiro sintoma da melancolia que tenta suprir o gigantesco vazio afetivo do ganancioso. É importante observar que essas pessoas assim se transformam em prósperos empresários, mas nunca deixam de ser maníacos-melancólicos que fazem da falta de afeto uma permanente compulsão por dinheiro. É só assim que encontram a segurança para sua fragilidade emocional.

Nicéas Romeo Zanchett 

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terça-feira, 31 de julho de 2018

A REPRESSÃO SEXUAL DA IGREJA


             Desde os primeiros anos do cristianismo ocidental, a mulher é considerada como "impura" e constitui, então, para o homem, um obstáculo no caminho da santidade. Essa visão da "pecadora" não nos foi dada por Cristo; foi proposta por São Paulo, que pregava a nova religião numa sociedade de costumes particularmente corrompidos. 
              Historicamente a Igreja Romana sempre desprezou o sexo. Santo Agostinho, o mais célebre dos Padres da Igreja, considerava incompatíveis com Deus e a Natureza, numa perspectiva sobrenatural. Essa atitude, profundamente arraigada, torna difícil a adaptação da Igreja à nova sociedade que, após ter reabilitado a sexualidade, a liberta e exalta. 
               A aspiração a uma revisão dos valores, a uma reabilitação dos princípios de prazer, surgiu num Ocidente próspero. Foi engendrada pela própria prosperidade. Entretanto, esse Tema ainda é tratado com superficialidade, tanto nas pesquisas como nas discussões, por grande número de pais, professores e responsáveis pela nossa sociedade. 
                 Duas ideias governam os textos bíblicos que tratam da sexualidade: a primeira é que o sexo é um mistério que é preciso cercar de respeito; a segunda é que o casamento é a forma desejada por Deus para as relações sexuais. Entretanto, os judeus das origens do cristianismo acreditavam que os prazeres da vida deviam ser vividos plenamente. No antigo testamento não existe nenhuma proibição às relações sexuais antes do casamento, como também, nenhum trecho da bíblia rebaixa a mulher para exaltar o homem. Foi depois do exílio que o povo judeu desenvolveu a ideia de que os prazeres, particularmente o prazer sexual, deviam ser condenados. 
                  A igreja considera o corpo, especialmente da mulher, como instrumento privilegiado da tentação. A incessante exaltação do celibato por São Paulo, revela seus profundos problemas pessoais em relação à sexualidade. Alguns religiosos, apaixonados por psicanálises, acreditam ver em seus propósitos uma homossexualidade latente e reprimida. São Paulo marca o ponto de tradição entre a atitude sadia e positiva para o corpo, que caracteriza o Antigo Testamento e o próprio Jesus, e a atitude dualista e negativa que não parou de se expandir no Ocidente. Ele aconselhava os cristãos preocupados com a saúde e seguiram seu exemplo e não se ligaram a nenhuma mulher. 
                 A moral cristã foi, aos poucos, se edificando em volta da convicção de que a sexualidade devia ser evitada como o "mal essencial", à exceção do mínimo que considerava necessário para manter viva a raça humana. A prática sexual só foi desculpável na procriação. Com isso a Igreja considerava que tinha encontrado o ponto de equilíbrio declarando que o ato sexual em si não era condenável,  condenável era o prazer que dele tiravam os indivíduos. 
               Os moralistas escolásticos editaram um código que regulamenta no menor detalhe a vida sexual. Dele, em nenhum estágio, o pecado é totalmente excluído, pois que a paixão necessária para desencadear o ato criador constitui um pecado, mas a gradação do pecado atinge o extremo. Para homens e mulheres casados criou-se camisas que permitiam conceber com um contato reduzido entre os corpos. Entretanto, as poluções involuntárias são classificadas como pecados. Fazer amor em sonhos, durante o sono, ainda é considerado crime que deve ser declarado no confessionário. Na sombra do confessionário, os padres escutam as consciências e, como policiais, interrogam aquilo que consideram pecados da carne. Mas isso não é motivo de preocupações para os fiéis, pois podem pecar à vontade, desde que contem ao padre para ser perdoado. 
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Nicéas Romeo Zanchett 


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terça-feira, 10 de julho de 2018

A MORALIDADE SEXUAL

 
Escultura - Romeo 


                  O maior trabalho da moral sempre foi a regulação sexual, porque o instinto reprodutor cria problemas não só dentro do casamento, como antes e depois dele. e a cada instante ameaça perturbar a ordem social com a sua persistência, a sua intensidade, o seu desprezo à lei e às suas perversões. O primeiro destes problemas diz respeito às relações pré-maritais. Mesmo com toda a liberdade sexual de nossos dias, há sempre um limite imposto pela sociedade. 
                Mesmo entre os animais, o sexo não é completamente livre; a rejeição do macho por parte da fêmea, exceto nos períodos do cio, reduz o sexo a um papel muito mais modesto do que tem ele em nossa espécie. Como disse "Beaumarchais", o homem difere do animal por comer sem ter fome, beber sem ter sede e copular (praticar sexo) em todas as estações. Entre os povos primitivos encontramos algo análogo ás restrições animais no tabu da mulher durante o período menstrual. Fora isso, o intercurso pré-marital é quase sempre livre, nas sociedades mais simples. Entre os índios norte-americanos os jovens uniam-se livremente, sem que mais tarde esse fato constituísse impedimento para o matrimônio.  Entre os papuas, a vida sexual começava muito cedo e a promiscuidade pré-marital era a regra.  A mesma coisa acontecia entre os soyos da Sibéria, os igorots das Filipinas, os nativos da Alta Burma, os cafires  e boximanes, das ilhas Murray, das Andamanes, do Taiti, da Polinésia, do Assam, etc.
                 Sob tal regime não seria de esperar muita prostituição. A "mais velha das profissões" é relativamente nova; só aparece com a civilização, com o advento da propriedade e o desaparecimento da liberdade pré-marital. Aqui e ali encontramos raparigas que se vendem por algum tempo a fim de reunir dote, ou levantar fundos para os templos; mas isto só ocorre onde o código moral o aprova, como um piedoso sacrifício tendente a ajudar os pais pobres ou os deuses famintos. 
                 A castidade vem depois. O que a moça primitiva mais temia não era a perda da virgindade, mas  sim adquirir fama de estéril; com frequência a prenhez pré-marital constituía uma ajuda, em vez de um embaraço, para o casamento, porque provava a fecundidade da mulher. Antes do advento da propriedade, as tribos mais simples tinham em má conta a virgindade, achando-a indicativa de impopularidade. O noivo Kamchadal" que encontrava a sua noiva virgem, enfurecia-se, e insultava-lhe a mãe pela maneira negligente com que educara a filha.  Em muitos lugares a virgindade er considerada como barreira ao casamento, porque punha a cargo do noivo a desagradável tarefa de violar o tabu que lhe proibia derramar o sangue da tribo. Às vezes a moça se oferecia a um estrangeiro, como meio de livrar-se desse tabu. No Tibe as mães ansiosamente procuravam um homem que lhes quisesse deflorar as filhas; no Malabar as moças cercavam nas estradas os passantes e lhe pediam o grande favor, porque "enquanto fossem virgens não encontrariam casamento. Em algumas a noiva era obrigada, no dia do casamento, a dar-se aos hóspedes vindos à festa, antes de entregar-se ao marido; em outras o noivo contratava um homem para lhe desvirginar a noiva; entre certas tribos das Filipinas havia um funcionário, muito bem pago, incumbido de poupar os noivos esse incômodo. 
                  O que sera que transformou a virgindade, de um defeito a uma virtude e tanto a elevou nos códigos morais das mais altas civilizações? Indubitavelmente, a instituição da propriedade. A castidade pré-marital apareceu como extensão ás filhas do sentimento de propriedade com que o macho patriarca olhava para sua mulher. A valorização da virgindade sobreveio quando, no casamento por compra, a noiva virgem começou a alcançar melhor preço que anão virgem; trazia um atestado referente ao seu passado e uma promessa da fidelidade marital, agora tão cara para os homens receosos de que seus bens se fossem para filhos de outros machos. 
                 Os homens, porém, nunca pensaram em aplicar essas restrições a si mesmos; não aparece na história nenhuma sociedade estabelecendo a castidade pré-marital do macho; língua nenhuma ainda cunhou palavra designativa do homem virgem. A aura virginal representava-se unicamente para as moças. Os tuaregs puniam com a morte a irregularidade das filhas ou irmãs; os negros da Núbia, da Abissínia, Somália, etc., praticavam nas meninas a cruel arte de "infibulação", isto é colocar um anel fixo nas partes genitais , de modo a impedir a copula; em Burma e no Sião essa prática subsistiu até nossos dias. Formas de separação surgiram, por meio das quais as meninas eram impedidas de ser tentadas. Na Nova Betanha os pais ricos confinavam as filhas, durante os cinco anos perigosos, em cabanas guardadas por velhos negros;dali não podiam sair e só os parentes as visitavam. Algumas tribos de Borneo também guardavam as moças em rigoroso confinamento. Destes primitivos costumes ao "purdah" dos muçulmanos e hindus, só vai um passo - o que mostra quando perto da selvageria ainda está a nossa civilização. 
                 O pudor sobrevém com a virgindade e o patriarcado. Ainda hoje vemos muitas tribos em que não há o menor vexame na exposição do corpo nu; mas envergonham-se de usar roupas. A África inteira rolou de rir quando Livingstone impediu aos negros que o hospedavam para porem alguma tanga por por ocasião da vinda de sua esposa, madame  livingstone. A rinha de Balonda apresentou-se completamente nua ao receber esse explorador. Em certo número de tribos os pares copulavam publicamente, sem o menor pensamento de vergonha. No começo o pudor é para a mulher o sentimento de que ela é tabu nos seus períodos menstruais. Quando surge o casamento por compra e a virgindade das filhas começa a dar lucro aos pais, a separação e a compulsão à virgindade entram a criar nas meninas o senso do dever de castidade. De novo o pudor mostra-se como sentimento na mulher que, comprada, sente-se em obrigação financeira para com o marido, e refreia-se de gratuitas relações sexuais com outros. O vestuário surge neste ponto, caso motivo de proteção ao corpo já não o tenham engendrado; em muitas tribos as mulheres só passam a andar vestidas depois do casamento, como sinal do seu estado e como meio de  afastar a galanteria; o homem primitivo não concorda com o pensamento de Anatole France, que é o cobrir o corpo que produz a luxúria. A castidade, entretanto, não revela nenhuma necessária relação com a roupa; contam alguns viajantes que na África a moral varia em razão inversa à quantidade das roupas. É claro que o que envergonha os homens depende unicamente dos tabus e costumes locais do grupo. Até recentemente a chinesa envergonhava-se de mostrar o pé, a mulher árabe, de mostrar o roto; e a tuareg, de mostrar a boca; mas as antigas egípcias, as hindus do século 19 e as mulheres de Bali do século 20 (antes que ardentes turistas começassem a aparecer por lá), nunca sentiram a menor vergonho em andar com os seios à mostra. 
                  Não devemos concluir que a moral perde o valor pelo fato de assim variar no tempo e no espaço, e que seria revelação da nossa cultura em história o desembaraçar-nos dos costumes morais do grupo em que vivemos. Antropologia em doses muito pequenas é coisa perigosa. Não há a menor dúvida que a moralidade, como diz Anatole France, "é a soma dos preconceitos dum grupo; e que, como disse o grego Anacarsis, se fossemos juntar os costumes considerados sagrados em algum grupo, e depois retirar dele tudo quanto fosse considerado imoral em outro grupo, nada restaria no monte." Mas isto não prova a desvalia da moral; só prova de quantas maneiras diferentes pode a ordem social ser preservada. Essa ordem é indispensável à vida dos grupos; não há jogo que possa ser conduzido sem regras; o homem necessita saber o que lhe pode vir de outro, nas circunstâncias ordinárias da vida. Daí a unanimidade com que os membros duma sociedade praticam o código moral, coisa tão importante como o conteúdo desse código. Nossa heroica rejeição dos costumes e da moral da nossa tribo, quando na adolescência descobrimos a relatividade da moral, apenas revela imaturidade de julgamento; mais uma década  que se passe e começamos a perceber  a muita sabedoria do código moral que condenávamos, pois que ele consolida a experiência de gerações e gerações anteriores. Cedo ou tarde nos vem a percepção de que mesmo o que é para nós incompreensível pode ser verdadeiro. As instituições, convenções, costumes e leis que formam a complexa estrutura duma sociedade provém do trabalho de centenas de séculos e de milhões de espíritos; um só espírito pode esperar compreendê-lo durante apenas uma vida - e muito menos aos vinte anos de idade. Temos de concluir que a moral é relativa, mas indispensável.   
              Desde que os velhos costumes básicos representam a seleção natural duma série de modos de agir durante séculos de experiência e erro, podemos esperar descobrir alguma utilidade social, ou valor de sobrevivência, na virgindade e no pudor, a despeito da histórica relatividade dessas instituições, da sua associação ao casamento por compra e das suas contribuições para as neuroses. O pudor era a retirada estratégica que permitia à moça melhor escolha do companheiro, ou a forçava a mostrar as suas mais belas qualidades antes de vencê-la; os embaraços que o pudor levanta contra o desejo do homem geram aqueles sentimentos de amor romântico que elevam a mulher aos seus olhos. A demonstração, ou revelação, da virgindade destruiu a naturalidade da primitiva vida sexual; mas, ao diminuir a precocidade do sexo e a maternidade muito prematura, diminuiu também o espaço entre a natural maturidade sexual, bem como a econômica.  Provavelmente serviu para fortalecer o indivíduo no físico e no mental, prolongando a adolescência e a educação, e desse modo elevando o nível da raça humana. 
                 À medida que a instituição da propriedade se desenvolveu, o adultério foi passando de "pecado venial" a "pecado mortal".  Metade dos povos primitivos não lhe atribuem nenhuma importância. Mas o surto da propriedade não só levou à exigência da completa feminina, como gerou no homem o senso de domínio em relação à esposa; mesmo quando o marido emprestava a esposa a um hóspede, o que vemos é o uso dum ser que lhe pertence de maneira absoluta. O costume do suttee veio completar esta concepção: a mulher era sacrificada e enterrada no túmulo do marido, com todos pertences deste. Durante o regime do patriarcado, o adultério equiparou-se ao furto; equivaleria hoje a apropriar-se duma propriedade que não lhe pertence. O castigo variava de grau, indo da indiferença, nas tribos mais simples, ao estripamento da adultera, observado em certas tribos da Califórnia. Após séculos de punição, a nova virtude da fidelidade da esposa estabeleceu-se firmemente e gerou uma consciência no coração feminino. Muitas tribos de índios surpreenderam os conquistadores com a irrepreensível conduta das esposas; e certos viajantes lamentam que as mulheres da Europa e da América não possam se igualar em fidelidade marital às da Papuásia e do Reino Zulu.
                  Essa fidelidade era mais fácil para as papuas, desde que entre suas tribos, como na maioria dos povos primitivos, poucos embaraços se levantavam contra o divórcio. As uniões raramente iam além de poucos anos, entre os índios da América. "Grande número de homens velhos ou maduros", diz Schooleraft, "contam das muitas mulheres que tiveram, e dos muitos filhos espalhados pelo mundo, que lhes são desconhecidos. Eles se "riem dos europeus por terem uma só mulher, e por toda vida; admitem que o Espírito Bom os formou para serem felizes e não para permanecerem amarrados, salvo aos que o desejem por força da congenialidade." Os índios cherokees mudavam de mulher três ou quatro vezes por ano; os somoanos, que eram muito conservadores, mantinham a mesma mulher por três anos em média. Com o advento da vida agrícola, as uniões se tornaram mais permanentes. Sob o sistema patriarcal, o homem considerava antieconômico divorciar-se, porque de fato isso era perder uma escrava. Como a família se tornara a unidade de produção social, o progresso vinha do tamanho e da coesão das famílias; era de vantagem que a união s prolongasse até que o último filho estivesse criado. E chegada essa época, já nenhuma energia restava aos cônjuges para mais romance. O que, de novo, trouxe o divórcio ao mundo foi o surto da indústria urbana e a consequente redução do tamanho e da importância econômica da família. 
                  Em geral, através da história, os homens sempre quiseram muitos filhos, e por essa razão declaravam sagrada a maternidade; mas as mulheres, à quais cabia todo o peso da reprodução, secretamente se rebelavam, e usavam todos os meios para escapar à gravidez e, portanto, a essa pesada tarefa. Os homens primitivos não se preocupavam em restringir a população; as crianças eram elementos aproveitáveis, e os homens só lamentavam que não fossem todas do seu sexo, pois lhe seriam de maior utilidade. Foi a mulher que invetou o aborto, o infanticídio e o repúdio da concepção - embora nas primitivas sociedades isso só acontecesse esporadicamente. Parece-nos espantosa a verificação da similaridade de motivos entre o "selvagem" e o "civilizado" quanto á evitar ter novos filhos. Fugir aos trabalhos da criação, preservar a mocidade, evitar a desgraça da maternidade extramarital, medo da morte no parto, etc. já eram justas preocupações das mulheres.  Diante disso, o processo mais simples de reduzir a maternidade consistia em negar-se a mulher a ter relações com o homem no período de amamentação, a qual podia ser prolongada por muitos anos. Às vezes, entre os índios Cheyenees, as mulheres adotavam por anos o costume de se recusarem a tr novo filho antes que o primeiro fizesse dez anos. Na Nova Bretanha as mulheres não tinham filhos até dois e três anos depois do casamento. Os Guaicurús do Brasil foram diminuindo de número, porque as mulheres se recusavam a ter filhos antes dos trinta anos. Entre os papuas o aborto era frequente; "filhos são carga pesada", disse uma mulher; nós andamos cansadas de filhos". Algumas tribos maoris usavam ervas, ou alteravam a posição do útero para evitar a concepção.
                 Quando o aborto falhava, vinha o infanticídio. Mutos povos admitiam a matança do recém nascido, se aparecia disforme ou doente, ou se era bastardo, ou se a mãe morrera no parto. Outras tribos matavam os filhos dados à luz sob más circunstâncias; o naturais de Bondei estrangulavam os que nasciam de cabeça; os de Madagascar abandonavam, afogavam ou enterravam vivas as crianças que vinham em março ou abril, ou nas quintas e sextas-feiras, ou na última semana de cada mês. Se alguma mulher procriava gêmeos, isso era, em algumas tribos, prova de adultério, já que um mesmo homem não podia ser ao mesmo tempo pai de duas crianças; e por isso, uma ou as duas eram condenadas à morte. A prática do infanticídio prevalecia sobretudo entre os nômades, aos quais o nascimento de crianças constituía embaraço durante as marcas. A tribo dos "bangerangs" matava no nascedouro metade dos filhos; os nativos do Chaco Paraguaio só permitiam uma criança por família, em cada espaço de sete anos; os "abipones" faziam como os franceses: duas crianças em cada casa, e matavam as que vinham a mais. Quando ameaçadas de carestia, muitas tribos estrangulavam as crianças de peitos - outras as comiam. Em regra as meninas eram mais expostas ao infanticídio; às vezes torturavam-nas até a morte a fim de induzir a alma, quando de novo se reencanasse, a escolher o sexo masculino. O infanticídio era praticado sem crueldade e sem remorso, porque logo que dá à luz, a mãe não sente nenhum amor instintivo pelo filho. 
                  Se a criança vivia algum tempo, estava liberta desse destino; surgia o amor na sua primitiva simplicidade; e em muitos casos a dedicação das mães igualava à das mulheres modernas. Por falta de leite de vaca e outros alimentos adequados, a mãe amamentava o filho até dois anos, às vezes até quatro, às vezes até doze anos; um historiador conta que um menino já fumava  e ainda não desmamara; muitas vezes uma criança abandonava o brinquedo -ou o trabalho - para ir agarrar-se ao peito materno. A mãe negra costumava trazer o filhos nas costas durante o trabalho, e o amamentava jogando o comprido peito para trás. A disciplina primitiva era indulgente, mas não ruinosa; a criança ficava entregue a si mesma, tendo de enfrentar as consequências da sua estupidez, insolência ou pugnacidade; o aprender vinha passo a passo. O amor filial e o paternal mostram-se muito desenvolvidos na sociedade natural. 
                  Perigos e doenças abundavam, de modo que a mortandade infantil sempre foi alta. O período da mocidade era breve, porque as responsabilidades maritais e marciais começavam muito cedo, e os rapazes tinham de enfrentar os trabalhos de defesa dos grupos.  Consumiam-se as mulheres no carregar crianças, e os homens no prover alimentos para a família. Quando o filho mais velho estava criado, os pais já nada mais valiam para ele; pouco tempo sobrava para a vida individual, tanto no começo como no fim da vida individual, no começo e no fim de uma existência humana. 
                 A moral na Babilônia tem fatos muto interessantes. A religião, como sempre, regulava as relações humanas.  
                 O historiador Heródoto (pai da história) nos traz as seguintes informações para refletirmos:
                 " Cada mulher da Babilônia era obrigada, uma vez na vida, a postar-se no templo de Vênus e ter relações sexuais com algum desconhecido. Muitas, desdenhando misturar-se com as outras, por serem ricas, vinham em carruagens cobertas, e tomavam lugar no templo rodeadas da comitiva dos servos. Mas pela maior parte faziam assim: uma sentavam-se no templo, com uma coroa de corda na cabeça; outras estavam continuamente entrando e saindo. Ficava entre elas, em aberto, um corredor, por onde passavam os homens que vinham fazer sua escolha. Quando uma mulher se sentava, não podia voltar para casa antes que um homem lhe lançasse ao colo uma moeda de prata - e saísse com ela do templo.O que lançav a moeda dizia: "Suplico à deusa Mylitta que te favoreça"; porque para os assírios, Vênus era Mylitta. (Os gregos chamavam os babilônios de assírios. Mylitta era uma das formas de Ishtar.)  A moeda podia sr das menores e a mulher não tinha o direito de rejeitá-la, porque era sagrada. As mulheres seguiam o primeiro homem que as escolhesse, não se recusando a nenhum. E depois de realizado o intercurso, e já livres da obrigação para com a deusa, voltavam para casa; e depois disso, por mais alta soma que lhes oferecessem, não teriam os seus favores. As dotadas de beleza de formas livravam-se logo da obrigação; mas as feias ou disformes ali ficavam longo tempo, incapazes de satisfazer a lei, algumas chegar a ficar três ou quatro anos; às vezes um homem, por bondade as chamava e assim as livrava do sacrifício à deusa."
                 Qual seria a origem deste estranho rito? Relíquia do velho comunismo sexual? Concessão do jus prime noctis? (direito à primeira noite), feita pelo futuro noivo á comunidade representada por um anônimo qualquer? Proviria do antigo tabu contra o derramamento de sangue na tribo? Preparação física para o casamento, como ainda hoje a vemos entre certas tribos australianas? Ou era um simples sacrifício à deusa - a oferta dos primeiros frutos? Não o sabemos. 
                 Tais mulheres, entretanto, não eram prostitutas. Destas havia várias classes vivendo nos templos, onde conduziam o comércio do corpo e às vezes juntavam grandes fortunas. As prostitutas do templo eram comuns na Ásia Ocidental; encontramo-las em  Israel, na Frígia, na Fenícia, na Síria, etc.; na Lídia e em Chipre as moças juntavam, desse modo, o dote para o casamento. A prostituição sagrada só foi abolida na Babilônia pelo imperador Constantino em 325. Mas a prostituição comum, conduzida em casas próprias, essa continuou. 
               O individualismo como liberdade, constitui luxo da civilização. Unicamente com o albor da história encontramos homens e mulheres livres das cargas da fome, da religião, da reprodução e da guerra, aptos, portanto, para se dedicar  aos valores do lazer, da cultura e da arte. Portanto, meu conselho é liberdade individual. 
Nicéas Romeo Zanchett