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segunda-feira, 25 de outubro de 2021

O SEXO DURANTE A MENSTRUAÇÃO

 


             A menstruação não é um obstáculo à vida sexual da mulher. Embora alguns casais não vejam com bons olhos as relações  sexuais mantidas durante o período menstrual, isso não passo de um tabu. Nem a mulher está indispostas nessas ocasiões, nem a sua capacidade de sentir prazer é menor; ao contrário, muitas se tornam até mais excitáveis. Dores de cabeça, cólicas, etc, são passageiras  e nem sempre acontecem. A ideia de associar as regras  femininas á impureza tem origem numa moral religiosa que não procede. Homem e mulher devem viver sua relação amorosa sempre que sentir vontade. Quanto ao que pode ou não pode ser feito em tais situações, depende do gosto pessoal de cada um. 

            A ideia de que as mulheres tem mais desejo quando termina  a menstruação, à priore, não tem fundamento. Para as mulheres  existem períodos distintos: o anterior e o posterior à ovulação.  Uma mulher que não esteja na meno pausa e nem sob efeito de pílulas anticoncepcionais segrega o hormônio conhecido como progesterona após a ovulação, o que pode motivá-la sexualmente. Mas este apetite sexual, comum a partir do quinto dia da menstruação, é sentido por muitas na segunda metade do ciclo. O mecanismo do desejo é complexo e não permite uma simplificação ginecológica; os hormônios são mensageiros entre os órgãos e as zonas de decisão da libido. Uma coisa é certa: a primeira  metade do ciclo, geradora do estrogênio, tem como função assegurar o amadurecimento do óvulo e preparar confortavelmente  a chegada  dos espermatozoides até o útero. Isso pode gerar a necessidade  mais intensa de fazer amor.

            Na verdade, o desejo das mulheres é imprevisível e cada caso é um caso. Não se pode analisá-las apenas pelo lado científico porque existem outros fatores gerados pelos sentimentos pessoais. 

Nicéas Romeo Zanchett 

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sexta-feira, 22 de outubro de 2021

O DESRESPEITO À VIRGINDADE DA MULHER

 

                O desrespeito à mulher é secular e mesmo nos dias atuais, em muitos lugares, elas ainda são consideradas propriedade dos homens. 

            Muitas das populações primitivas, semi-bárbaras e até mesmo totalmente selvagens, valorizam a condição virginal da mulher, chegando a exigi-la para o casamento, ou pelo menos a festejá-la quando encontrada. 

             Certos povos africanos tinham o costume bárbaro de costurar os  lábios da vulva das virgens (infibulação) a fim de fechar o orifício da vagina até o matrimônio, momento de desfazer por incisão a ligadura ou acolamento dos tecidos. Esta era também a providência usada por beduínos da planície Bejuda, ao norte de Chartum. Fatos como esses aconteceram em múltiplas regiões da Rússia, Lituânia, Finlândia, Portugal e outros países antigos.

            Entre os povos africanos da Núbia, Angola, África Ocidental e outros, o marido podia repudiar a esposa não virgem ou, nesse caso, receber uma espécie de indenização sob forma  de haveres, principalmente gado (bois e vacas). 

              Por outro lado, também levados pela selvageria e ignorância, muitos povos tinham o costume de contratar estranhos para o defloramento de suas virgens que eram conhecidos como "perfuradores" experientes. Assim era entre os visayas ou bisayas, nas Filipinas e na Nova Caledônia. Eles consideravam que as mulheres não disvirginadas eram indesejáveis por algum motivo oculto, qualquer defeito ou  má qualidade, que faziam com que não fossem desejadas por ninguém. Visava, pois, o desvirginamento pré-matrimonial ao preparo da esposa para poder dar ao marido. Outros povos interpretavam o defloramento das virgens como oferenda da sua condição aos deuses através de seus representantes, os sacerdotes ou feiticeiros. Assim procediam certos povos negros da Senegâmbia, os Acowaschen e Kumares na América, os índios na Nicarágua e também indianos e habitantes de Malabar.

            No Camboja o defloramento era feito pelo sacerdote com o dedo mergulhado em vinho, com o qual, depois, praticava unção na fronte, seguindo-se a sua ingestão pelos pais e parentes da noiva. No Egito havia também este mesmo costume, mas o defloramento da noiva era praticado pelo marido e com o dedo  envolto em lenço de musseline branco, seguindo-se a sua exibição aos pais e convidados. O mesmo aconteci na ilha de Samos, segundo testemunho de St"ubel e de Kramer em obras de 1896 e 1903 respectivamente. 

             A exposição de roupas ensanguentadas da noiva ou dos lençóis, após a primeira noite nupcial, como prova do defloramento pelo coito, dominou muitos povos primitivos até o século 16. Isso também era um costume recente na Itália. 

              Certas tribos índias do canadá: iroquezes, hurons, algonquins tinham um costume que consistia na obrigação do casal de jovens permanecer sem contato sexual durante um ano, ou mais, apesar de regularmente unidos pelo ritual do casamento. Já as raparigas do Tibete tinham ostensivo brio sexual e usavam no pescoço tantos colares quantos amantes tivessem tido, e isto para elas era motivo de muito orgulho. 

              São inúmeros os grupamentos humanos não civilizados, no passado ou no presente, estimando ou não a castidade pré-matrimonial das mulheres. Entretanto, nada ultrapassa a maravilhosa inventiva das "mil e uma noites" de Sheherazade e Shahrigar, o sultão que, para tem certeza de que não seria traído, mandava matar no dia seguinte toda aquela com a qual passasse a noite. Conta-se que Sheherazade, a bela filha do seu grão-vizir, a fim de escapar à morte, entreteve o sultão por mil e uma noites com suas atraentes histórias. Sabe-se hoje que se trata de lendas de origem persa e hindu. 

            Retrata a luxuosa vivência com as mulheres o ardoroso poema "Jardim Perfumado" que, à semelhança do kama-Sutra indiano, recomendava nada menos que vinte e cinco posições para o coito perfeito. 

               Em várias regiões arábicas era praxe que o marido realizasse o defloramento da esposa na noite nupcial enquanto convidados e parentes conversavam no quarto ao lado. Legislava também neste sentido o Alcorão, livro sagrado: "Quando possuirdes uma virgem, fazei reunir na câmara vizinha amigos..." Também era costume, após a noite de núpcias (geralmente em sete noites de ritual, levar a roupa ensanguentada da cama aos pais da moça, proclamando com orgulho e satisfação: "Que Alá purifique as vossas faces, de fato, mantiveram pura a vossa filha..." Caso, entretanto, a jovem não fosse presumida virgem, poderia o noivo repudia-la, ou pelo menos receber de volta a soma do seu pagamento feito à família. 

      No mundo árabe, geralmente por motivos religiosos, a vida das mulheres continua complicada. Não obstante dominados pelas delícias do convívio sexual, os homens arábicos jamais  se libertaram do mau juízo que sempre fizeram das mulheres, atribuindo-lhes inclinação inata para a mentira, infidelidade, cupidez e astúcia.ç Felizmente temos sinais de que isso está mudando, embora lentamente. Muitos ainda adotam a reclusão rigorosa e sua permanente vigilância de suas parceiras. Reza neste sentido  o Alcorão, a Bíblia  islâmica onisciente, atribuindo aos próprios  maridos a responsabilidade da escolha das esposas: "Mulheres honradas devem ser sempre obedientes, leais e reservadas". A condição essencial das moças árabes para o casamento ou separação por venda é a virgindade. A jovem desde cedo sabe que dever guardar seu "tesouro da castidade" e quando encontra seu pretendente proclama ameaçadoramente: "Sou virgem por Alá".  Não escapou, entretanto, a sabedoria do Alcorão que, certas vezes, pode-se relevar a fraqueza de uma virgem inculta: "Se quiserdes perdoar a uma rapariga que vos enganou com uma falsa  virgindade, eu o permito..." ou, mais especificamente ainda: "Se for uma mulher com a qual tiverdes contratado casamento, repudia-a imediatamente; mas, se for uma rapariga que vós tiverdes comprado à sua família, ou a um mercador, ou ainda adquirido na guerra, fechai-a sozinha nos seus aposentos durante o espaço de duas luas. Que ela não possa ver ninguém, nem comunicar-se com qualquer pessoa durante esse tempo. Perdoai-lhe em seguidanão voltando nunca mais a falar no assunto". 

           Quando o defloramento de filha solteira ou sua gravidez se tornava conhecido do pai, (no passado) poderia o fato levá-lo à morte; mais comumente nos nossos dias provoca sua exclusão de casa, seguida de inexorável vingança da família sobre o sedutor ou a um membro feminino de sua família. A violência não poupava  ninguém. Basta pensar que poderia consistir em decepar-lhe as mãos.  

          Ainda hoje, donzelas árabes devem sempre conservar os olhos baixos na presença de homens. Proíbe o Alcorão que as mulheres exibam a sua beleza física, determinando que as vestes  recubram todo o seu corpo, ou melhor. "tudo o que se acha acima dos joelhos e abaixo do umbigo..." Belos cabelos ou longas tranças constituem, para os pretendentes, os maiores atrativos das jovens, cujos rostos e bocas devem sempre permanecer ocultos por véus. O resultado disso é que, "a revelação de qualquer pequena parte do corpo torna-se repleta de significado erótico" inclusive  as mãos, cujo simples contato, ao serem seguradas, têm expressivo significado sensual. Também a circuncisão masculina era obrigatória e recomendada no Alcorão antes do casamento. Em certas tribos de beduínos, como prova de bravura, os jovens praticavam o sacrifício de verdadeiro escorchamento da pele, abrangendo o ventre, a partir do umbigo, incluindo o escroto e faces internas das coxas. Atualmente este costume já não existe; foi proibido pelo governo da Arábia Saudita.  Quando as mulheres, em certas tribos, praticava-se também a excisão do clitóris e grandes lábios vulvares, como se fazia no Egito, Núbia, Abissínia, em algumas áreas do Sudão e múltiplos agrupamentos selvagens africanos. Ainda hoje, em alguns lugares, esse horror continua acontecendo. 

           Tudo isso decorre da afirmativa de propriedade da mulher pelo homem, aliada à satisfação de sua vontade quanto a não ser comparada com antecessores no primado sexual de sua virgindade. Enquanto os ser humano permanecer ignorante, respeitando e praticando religiões com pregações absurdas, esses crimes contra as mulheres, em maior  ou menor grau, continuarão acontecendo. Felizmente, muito dessa ignorância secular está sendo revista e abolida em várias partes do nosso pequeno mundo. Cada um de  nós tem o dever de informar esses fatos absurdos, mas tão recentes, a todas as pessoas. Só assim poderemos vislumbrar a completa liberação das mulheres. 

Nicéas Romeo Zanchett 

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quarta-feira, 20 de outubro de 2021

A NAMORADINHA DO CASAL


             O grande acontecimento dos anos 60 e 70 foi a pílula anticoncepcional, que liberou as mulheres para o sexo recreativo. Surgiram então os movimentos de amor livre, dos Hippies e da estruturação da indústria pornográfica no cinema, que incentivaram  as orgias. 

           Hoje as mulheres já amadureceram e perderam as inibições  que as mantinham amarradas a preconceitos. É comum que elas assumam a postura de caçadoras que era uma atitude tipicamente masculina. Muitas viraram "garanhonas" que não se satisfazem com o sexo rotineiro e sempre querem novas modalidades. É a atitude liberal das mulheres que fez surgir novos tipos de relacionamentos. 

      Vivemos um novos tempo sexualmente revolucionário, onde  as relações a dois têm sido sistematicamente substituídas por novos arranjos amorosos mais interessantes. É o caso dos relacionamentos  a três. 

          O mais comum é o casal que adota uma namoradinha fixa e com ela participam do momentos íntimos. Não se trata de garota  de programa e sim de uma verdadeira namorada do casal. Mas, o casamento a três, onde todos vivem a rotina de um casamento  convencional, é o mais interessante. São pessoas que vivem na mesma casa, onde a divisão de responsabilidades e a fidelidade são os marcos principais. Para um relacionamento harmônico a três é preciso que haja perfeita integração, respeito, desprendimento e fidelidade. Não pode haver ciúmes e nem preferências. 

           Esses casais, que geralmente são formados por duas mulheres e um homem, costumam ter a vida rotineira de um casal  comum. Muitos dormem na mesma cama, fazem as refeições e vêem TV juntos. Na hora do sexo o homem precisa tomar alguns cuidados para satisfazer as duas parceiras. Por razões óbvias, além das preliminares, ele têm que penetrar as duas e fazê-las gozar. para só então ejacular. Isso exige bastante auto-controle.

          Como se vê, não há limites para as fantasias que se possa ter no campo da sexualidade. Já no campo da ação, ideias que permitem ao casal esquentar o relacionamento, quando colocadas  em prática, podem ser o combustível que faltava para incendiar o desejo.

           Um casal que está  há muito tempo juntos acaba por fazer  sexo sempre da mesma maneira e entram para as estatísticas de casais que vivem e "disfunção de desejo" - a terceira maior causa de queixa sexual entre  homens e a segunda entre as mulheres. 

             Inovar é buscar uma alternativa que não prejudique ninguém e que possa resgatar felicidade a todos os envolvidos. Pode ser muito saudável e prazeroso enquanto durar. 

          Existem casais que buscam alternativas em Swings, mas é mais arriscado e não é seguro devido aos risco com DST. O casamento a três cria um envolvimento e dá mais segurança aos parceiros inovadores. Com mo prazer e a melhora no relacionamento, a infidelidade passa a ser coisa rara. na verdade, embora fosse mais raro e mantido a sete chaves, este tipo de relacionamento é bem antigo. 

           A grande dificuldade inicial para quem quer dar uma virada no relacionamento é a comunicação. É importante corrigir a falta de sintonia, procurando uma nova combinação de mensagens verbais e não-verbais que sejam mais condizentes com os sentimentos  de cada um. Conseguir enviar mensagens claras e consistentes, assumindo a responsabilidade pela sua metade, no que diz respeito à comunicação sexual, são duas importantes etapas  em direção ao aperfeiçoamento de qualquer relação. Mas é importante ter consciência de que uma comunicação clara e sem duplos sentidos é responsabilidade de ambos. 

              A interpretação errônea das intenções de um parceiro é fonte de fracassos na comunicação sexual. Isto acontece porque as pessoas compreendem de forma diferente os valores básicos como o amor, fidelidade e compromisso. É por meio de nossa educação e experiências de vida que aprendemos o verdadeiro significado destas palavras. E assim, quando duas pessoas têm  experiências e educação diferentes , existe a possibilidade de haver confusão  na interpretação desses conceitos. 

             Inicialmente a mulher tende a fazer a vontade do parceiro, mais motivada pelo medo de perdê-lo ou pelo desejo de controlá-lo, do que pelo seu próprio prazer. Para ela, prazer garantido só é possível quando a relação for apenas sexual e os sentimentos  minimizados. Geralmente só aceita quando não ultrapassam seus limites. Já o homem está mais preocupado com o prazer do que com os sentimentos. Para ele o relacionamento a três representa  a realização de sua mais profunda fantasia de forma prática, econômica e segura. 

             A forma mais fácil de conseguir um relacionamento a três  é dando preferência à amiga mais próxima do casal. É que nessa condição já existe confiança, simpatia e amor fraternal que são condições indispensáveis para um bom entendimento. 

             O mais importante, em qualquer espécie de relacionamento, é a busca da felicidade pela troca de prazeres, onde todos se sintam bem à vontade e sem cobranças desnecessárias. 

Nicéas Romeo Zanchett 

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segunda-feira, 18 de outubro de 2021

CASAMENTO CELIBATÁRIO

             O casamento celibatário é aquele onde o casal, mesmo sentindo amor e atração, já não sente mais a necessidade de sexo. 

              Freud sempre considerou o homem como um animal sexual. Em seus livros ele prega que o sexo é vital e que ninguém pode sobreviver sem ele. É evidente que essa afirmação é exagerada, pois o número de casais que vivem felizes e sem sexo é muito grande. 

            Do ponto de vista biológico, o casamento é uma necessidade para a reprodução da espécie. Quando falo a palavra "casamento" estou me referindo á vida conjugal de um casal - homem e mulher e não à cerimônia nupcial. Por outro lado, a reprodução sexual  trouxe consigo a necessidade evolutiva da morte. É a clássica renovação que se dá para que o idoso ceda seu lugar a um jovem com capacidade para reproduzir. Sem considerar as implicações metafísicas ou religiosas do tema, há clara visão das razões naturais da morte e a necessidade para unir os sexos e garantir a continuidade das espécies.

            Os seres unicelulares - não sexuados - que povoaram os mares  primitivos da Terra não tinham necessidade de morrer. Morriam apenas por razões acidentais, como mudanças nas condições ambientais ou falta de alimento. Os parentes mais próximos desses seres, que ainda hoje sobrevivem , são as bactérias que,de certa forma, são virtualmente imortais uma vez que nunca envelhecem. Já as células humanas saudáveis cultivadas em laboratório não apresentam a mesma vitalidade. Reproduzem-se algumas vezes e depois para e morrem. A diferença está no fato de que a bactéria  é sua própria célula reprodutiva. Ela não precisa de sexo para passar seu DNA ás próximas gerações; basta realizar uma divisão celular para produzir outra bactéria, exatamente idêntica a ela. Entretanto, há ceres pluricelulares que se reproduzem por meio do sexo como os humanos, e são um tanto mais complicados. Seus corpos são constituídos de trilhões de células com especialidades distintas, que compõem diferentes tecidos e órgãos. Toda essa complicada máquina está a serviço de umas poucas células especiais chamadas germinativas - o óvulos e espermatozoides, que conjugados produzem uma vida garantindo que o DNA seja transmitido adiante. 

             Na medida em que envelhecemos, a manutenção do corpo saudável torna-se cara, biologicamente falando. As células reprodutivas já cumpriram, ou pelo menos tiveram a chance de cumprir sua missão e não há mais sentido em se conservarem e deixam de se renovar. As células velhas acabam morrendo, em um processo chamado "Apoptose" - morte programada, uma espécie de suicídio celular. Aos poucos, o corpo como um todo vai envelhecendo e também morre. 

             Do ponto de vista afetivo, tudo é mais simples e fácil de entender. Ao envelhecermos, os hormônios reprodutivos tendem  a se acalmar. Há uma quietude natural que desvia as atenções  para outros prazeres da vida. Tomemos como exemplo a mulher; o envelhecimento produz uma diminuição gradual da resposta sexual, embora mulheres em idade avançada seja capazes de ter  orgasmos. Pouco antes da menopausa começa a lenta reprodução dos níveis de estrógeno, afinando os tecidos da vagina - que então demora mais a ficar lubrificada para a penetração. Ao parar de menstruar, o nível de testosterona, hormônio responsável diretamente  pelo desejo, reduz em cerca de dois terços. O amor, antes forjado pelo intenso desejo, agora se torna fraternal, mas muito mais intenso. Nessas condições os parceiros podem tornarem-se celibatários e continuarem juntos e muito felizes. 

           Quando somos jovens nossos pensamentos estão sempre ocupados com a sexualidade. É natural porque estamos na fase  reprodutiva. Nesse período da vida, um casamento de muito tédio e pouco sexo, transforma o leito conjugal num templo de monotonia. 

             Pesquisas recentes apontam o sexo - heterossexual  ou homossexual - como a área de maior atrito entre os casais. Mais de 90% das separações acontecem porque não há mais entendimento na cama. As mulheres culpam os homens de as tratarem como objetos e esses se queixam da frieza de  suas parceiras. Quando um casal - não interessa se homo ou heterossexual - tem relações, o que acontece na maioria das vezes é que cada um se preocupa com seu prazer sem pensar no parceiro. No fundo cada um considera  que o outro lhe pertence. Trata aquela pessoa como se fosse sua propriedade e não quer dividi-la com ninguém. Em resumo, ele não quer ter relações sexuais com seu parceiro ou parceira, mas também não permite que este tenha com outro ou outra parceira. Isso gera ciúme, irritação e brigas. Muitas delas extremamente violentas. Seria muito mais justo e inteligente que houvesse liberdade, com responsabilidade. 

              Depois do evento da pílula anticoncepcional, o sexo liberou os instintos individuais e passou a ser maus uma forma de lazer. Esse lazer se transformou numa grande indústria sexual que envolve bilhões de dólares em todo o mundo. 

            Todos envelhecemos e, portanto, todos seremos celibatários. Alguns mais cedo, outros mais tarde. O foco das prioridades muda radicalmente e o sexo, que antes era prioridade, entra para as estatísticas como um prazer eventual e muito mais movido pelo amor fraternal do que pelo sexual. O importante para ser feliz é saber aproveitar cada fase da vida. Manter a vitalidade durante toda a vida significa estar disposto a reavaliar constantemente seu modo de pensar sobre as coisas que fazem parte do seu dia-a-dia. E isto começa, por exemplo, desde o perfume e o sabonete que usa à rotina do seu casamento. Implica em permanecer aberto a novas experiências, enfrentar desafios, preocupar-se mais em aprender do que em estar certo. Não importa se você está com 20, 50 ou 80 anos, a chave para pensar a vida está na flexibilidade. Manter-se envolvido e entusiasmado - em vez de deixar ser levado monotonamente ao sabor da correnteza; o caminho mais curto para embotar o cérebro é sepultar-se noite e dia em frente  da TV. O que nos mantém jovens e atraentes à medida que vamos ficando mais velhos são os nossos interesses - ler, escrever, cozinhar, cuidar de plantas e animais, ficar às voltas com as crianças e qualquer outra atividade de que se goste. 

             Até recentemente os cientistas acreditavam que as células do cérebro, ao contrário das outras do corpo, perdiam a capacidade de se regenerar e milhares eram perdidas todos os dias. Isso significa que o cérebro, como o corpo, ia perdendo a eficiência com a idade. Estudos recentes realizados por especialistas em envelhecimento provaram que as células do cérebro e os neurônios podem regenerar-se sim.  Cérebros continuamente expostos a um ambiente  rico em estímulos - companhia inteligente, novos desafios, novas ideias - tem um desempenho melhor até do que cérebros mais jovens. Mantendo-nos ativos e pensantes podemos conseguir que nossos cérebros continuem brilhantes e jovens até o último dia de nossas vidas. 

Nicéas Romeo Zanchett 

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OS FILHOS DO DIVÓRCIO


             O casamento era aquela instituição concebida para desafiar o tempo e o amor era uma aventura que se desenvolvia  além dele. A paixão viveria até a morte, lenta ou rápida. Todos, mesmo teoricamente, sabiam disso e aceitavam essas condições antes de casar. 

            A visão da relação amorosa durável e triunfante vem mudando a cada dia. As pessoas estão se unindo já pensando em como ficarão depois que a paixão acaber e estiverem separados. E, naturalmente, os bens materiais, que porventura adquirirem, é o primeiro item da lista de prioridades. Talvez fosse interessante  que, ao casar, pensassem também nos filhos que virão e como será a vida deles no caso de uma separação. 

          É inegável que as formas de vida moderna estão promovendo um aumento generalizado na fragilidade dos casamentos. É até mesmo possível que um índice relativamente alto de divórcio seja uma concomitante inevitável das modernas condições sociais em que os casais se vêem. 

            Nos casamentos que acontecem mais por necessidade emocional  do que por razões econômicas o risco de separação é provavelmente bem maior. Com o passar do tempo, o que dava prazer emocionalmente, pode tornar-se significativamente menos satisfatório e as razões para continuarem juntos tendem a parecer cada vez menores. Nessa situação, quando a atração romântica começa a evaporar e o amor não está mais presente, os parceiros passam a cultivar seus próprios egos de forma impressionante.  

              Quando as relações de um casal vão mal, nem sempre isto se deve exclusivamente a problemas de sexo. O mais provável é que as más relações, oriundas de diversos fatores, se reflitam também  na área sexual. É raro casais se darem perfeitamente bem em todas as áreas, mas o sexo continua sendo um fator determinante para a separação. 

             Vivemos numa sociedade em que cerca de metade dos casamentos serão desfeitos. Isto sugere um grave alerta para os possíveis problemas das crianças. A situação levanta outra questão que é o grande comprometimento da saúde mental dos filhos do divórcio. Muitos se tornam joguetes de ódio e de ressentimentos. 

            As "Varas de família" estão lotadas de brigas pela guarda dos filhos. A maioria dos casais que se divorciam procura, consciente ou inconscientemente, uma oportunidade para castigar o outro fazendo-o sofrer. Não importa como se sentirão os filhos, vencê-lo é uma questão de honra. Pela maneira como certas mães e pais reivindicam a posse deles, deixa evidente que a criança não é o principal alvo de interesse. A finalidade visada é mesmo castigar  o ex parceiro e conseguir dele as maiores vantagens financeiras possíveis. O ex-marido precisa pagar para garantir o convívio com os filhos. 

             Mães manipuladoras são tipos muito comuns. São mulheres  imaturas, que nunca admitem culpa; ficam ressentidas, sentido-se desprezadas ou abandonadas. O pensamento equilibrado é substituído pelo ódio. E, em seu desespero, ela procura ganhar a simpatia dos filhos falseando a verdade. Sua ambição e ódio não lhe permitem visionar que eles crescerão e então, inevitavelmente, ela cairá no descrédito de um filho adulto. 

           Um dos principais problemas dos filhos da separação é o afastamento do pai ou da mãe, fruto do arranjo típico de visitações quinzenais nos fins-de-semana e na metade dos períodos de férias. 

            A maior participação dos pais na vida dos filhos vem pressionando as mudanças no sistema jurídico. A busca para saber  quem é o mais capaz dos genitores tem sido uma prática cada vez mais comum na justiça. 

           Um novo perfil de família está surgindo. A guarda compartilhada parece ser a forma mais benéfica para os filhos de pais divorciados e é a tendência nas varas de família. A guarda dos filhos não é apenas da mãe ou do pai, mas compartilhada entre o casal. Entretanto, para que isso possa acontecer é preciso que os novos divórcios sejam emocionalmente maduros, economicamente  independentes e tentem fazer tudo para o bem das crianças. 

             A situação jurídica da guarda compartilhada tem duas vertentes. Na primeira delas, a criança passa um tempo com o pai e outro com a mãe, desde que haja proximidade da casa deles e do colégio. Na outra, há uma ampla convivência, sem visitas rígidas, e os pais tomam junto as decisões. 

           Para felicidade das crianças, muitos pais são diferentes e as mães compreendem que a convivência com o pai é fundamental para o equilíbrio emocional dos filhos. 

              A nossa constituição estabelece ser o sustento dos filhos  uma obrigação não só do pai como também da mãe. Felizmente o padrão de mulher que só pensa no dinheiro da pensão e usa os filhos como joguetes de uma insana vingança contra o ex-marido está em vias de extinção. 

              Quando a mãe, no momento da separação, não está trabalhando, os novos juízes costumam determinar uma pensão só por um ano, até que ela possa sustentar a si e aos filhos quando então pode haver uma revisão dos valores. Há sempre um consenso no qual a maioria dos menores fica com a mãe, mas o número de pais com guarda está aumentando. Sempre que esta situação for a melhor para a criança, o juiz  tende a dar a guarda ao pai, mas os cuidados psicológicos nunca podem ser esquecidos. Existem "pais" e "pais". Partindo dessa premissa, o pai candidato à guarda dos filhos deve antes passar por um rigoroso exame psicológico. Muitos, aparentemente normais, têm sérios problemas psiquiátricos e até dependência de álcool e outras drogas e, nessas condições, quem sofrerá as consequências será sempre a criança. 

             Por outro lado, hoje vemos pais altamente participantes. Em razão disso a ótica da lei  está mudando. O principal critério é a maior disponibilidade para os filhos, o laço afetivo mais profundo e, principalmente, o que realmente for melhor para a criança. O pai pode obter a guarda em caso de mãe negligente, que vive fora de casa e deixa os filhos sozinhos; mãe que usa a pensão alimentícia dos filhos em benefício próprio e não das crianças; mãe emocionalmente prejudicial às crianças.

            Outra questão que tem surgido nas varas de família é em relação ao direito de visitação dos avós que estão brigados com os pais e são impedidos de ver os netos. E, quando os avós são melhores do que o pai e a mãe para as crianças, o juiz pode até dar a guarda para eles. Em muitos casos até padrastos tem conseguido na justiça a visitação obrigatória de netos de criação e enteados. 

              A partir de 12 anos, quando por lei a criança é considerada adolescente, ela também pode ser ouvida para dizer com quem prefere ficar, desde que seja referendada pelo juiz. Neste caso a decisão é auxiliada pela avaliação de uma equipe de psicólogos e assistentes sociais. Muitas vezes o filho quer ficar com o pai porque ele é mais relaxado; deixa-o faltar às aulas, ficar diante do computador ou da TV e ir dormir na hora que quiser. A investigação analisa o motivo de cada escolha para buscar o melhor para garantir o bem-estar da criança. 

             Por tudo isso, antes de casar, pense também nos filhos que terão e como ficarão no caso de divórcio. Agindo assim você não irá contribuir para o aumento no número de desajustados do nosso mundo. 

Nicéas Romeo Zanchett 

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        Este artigo está na página 59 (volume 2) do livro AMOR E SEXO SEM PRECONCEITOS -


domingo, 26 de setembro de 2021

AMOR, DINHEIRO E SOLIDÃO


      O único motivo que justifica a união de duas pessoas é o amor e a emoção. Para manter essa união é necessário, antes de tudo, muita sinceridade, cumplicidade e compreensão. É preciso viver o dia-a-dia com muito interesse de se conhecer melhor e expandir as inúmeras possibilidades do corpo e da convivência. 
            Qualquer relação amorosa que seja condicionada e rotineira leva, inevitavelmente, ao desinteresse sexual.

         O orgasmo mútuo é o resultado espontâneo do encontro de dois amantes. É uma chama que precisa ser mantida, pois, do contrário o melhor é apagar e partir para outro relacionamento.  

          Após separar-se da mãe, o ser humano encontrou na união conjugal uma maneira para sentir-se amparado. Muitas vezes essa união é levada de forma robotizada, sem emoção e apenas para manter um casamento falido. O medo da solidão é tanto que as pessoas abrem mão de tudo e vão fazendo inúmeras concessões para manter uma relação estável e fria. 

            A quantidade de relacionamentos infelizes que continuam  sendo sustentados por puro medo ou falta de saída é enorme; são pessoas que vivem em casamentos péssimos e acham que é normal. O dinheiro vira sinônimo de amor e a vida do casal se torna uma grande e confusa mentira. 

             A maneira de dar, receber, gastar ou acumular dinheiro revela frustrações emocionais que se arrastam da infância por toda a vida.

           Existem pessoas que têm muito dinheiro, não conseguem gastar consigo mesmas e saem à procura  de alguém que nada lhe dará em troca. Mesmo com toda a sua generosidade, acaba sempre frustrado  e sentindo-se indigno de amor. 

           Comprar a felicidade não é uma forma saudável de se realizar. São situações mal resolvidas que acabam por tornar essas pessoas em sovinas e incapazes de dar afeto para alguém ou para si mesmo. 

            São muito comuns os casos de mulheres ricas, com baixa auto-estima, envolvidas com homens financeiramente falidos. O dinheiro é usado para esconder um profundo drama afetivo que muitas vezes tem origem na infância e na forma como seus pais lidavam com o vil metal.

          O importante é descobrir a tempo que dinheiro não é amor; pode trazer conforto e até algum prazer, mas a verdadeira felicidade  se conquista com saúde psíquica e não com uma polpuda conta bancária. Na verdade o dinheiro nunca é capaz de substituir  o afeto que necessitamos.

           O dinheiro seduz porque alimenta a ilusão de suprir as faltas e as necessidades emocionais, de sentir-se a salvo de contratempos da vida e de ser possível comprar a própria auto-estima. Relacionamento onde o dinheiro define tudo é uma forma de transformar as pessoas em objeto sem valor para provar seu poder sobre elas. 

            Estamos vivendo num mundo em que a estética material  prevalece sobre a da amizade, da solidariedade, do afeto e das emoções espontâneas. Muitos precisam, de todo o dinheiro do mundo para sentirem-se realizados. Isto expõe o verdadeiro sintoma da melancolia que tenta suprir o gigantesco vazio afetivo do ganancioso. É importante observar que essas pessoas assim se transformam em prósperos empresários, mas nunca deixam de ser maníacos-melancólicos que fazem da falta de afeto uma permanente compulsão por dinheiro. É só assim que encontram a segurança para sua fragilidade emocional.

Nicéas Romeo Zanchett 

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quinta-feira, 16 de setembro de 2021

A HORA DA SEPARAÇÃO

       .


               O casamento acaba quando o casal não mais encontra possibilidades de integração, união e prazer que a vida a dois pode proporcionar. 

         Duas pessoas que se unem maritalmente estão cheias de planos e até ilusões. Mesmo apaixonados vivem conflitos de vários sentimentos, entre eles o amor. Quando as expectativas não se realizam tudo vira uma grande confusão entre o que consideram atenção, cuidados ou controle. Se a época do namoro não foi de muita paz e compreensão, os dois imaginam que após o casamento poderão mudar o parceiro e adaptá-lo às suas vontades. Esse é o erro inicial de uma relação.

           Um casamento tem três componentes: os funcionais, os psicológicos e os emocionais. Quando um casal está junto a muito tempo, mas não há  paixão, os  únicos laços que se mantém são os funcionais que podem ser facilmente desfeitos na hora da separação. São laços que mantém os dois juntos apenas para dividir tarefas. No casamento baseado em laços psicológicos, apenas um dos parceiros acredita que está ao lado da pessoa certa, enquanto o outro se sente insatisfeito. Na hora da separação um irá sofrer muito e o outro irá sentir-se aliviado. Já os casamentos com laços emocionais são muito mais fáceis de serem desfeitos e o sofrimento é profundo para ambos. 

           A maioria das separações não acontece repentinamente. Aos poucos o casal vai se afastando e chega o dia em que um dos dois se pergunta: "por que continuo aturando ele ou ela? Estou sendo injusto comigo mesmo. Este é o primeiro passo silencioso de um processo que fatalmente levará ao dia que decidirá por fim à relação. 

            Os casamentos que acabam em separação tem muitas coisas em comum, mas a principal é a falta de diálogo, geralmente da parte do homem. Este, com seus inúmeros compromissos profissionais vai se envolvendo demais com o trabalho e ai o estresse provoca a diminuição do desejo sexual. Apesar das constantes da companheira, passa mais tempo no trabalho e com amigos do que com a família. Está aberta a possibilidade da companheira ter um caso amoroso, que na maioria das vezes dura poucos encontros, mas é suficiente para aumentar o desgaste.  Com o eventual amante, a mulher encontra tudo o que o marido está negando-lhe e aí surge um novo dilema: "Como é possível ter uma vida dupla?" Para o homem é mais fácil, mas para a mulher é um drama, porque ela não busca apenas sexo, mas carinho, amor  e atenção. A maioria dos casais rompe a confiança mútua quando vem à tona o episódio da infidelidade. 

          Como já afirmei, é a falta de diálogo e atenção que dá o início ao desinteresse que fatalmente levará à separação. A maioria das mulheres acha que seus parceiros não dão a merecida importância aos sentimentos e reagem de maneira nada compreensiva às suas queixas ou reclamações. Ela se atormenta com a reação do companheiro que simplesmente não quert ouvir o que ela tem a dizer, preferindo ignorar qualquer reclamação. Por sua vez o homem justifica sua falta de atenção dizendo que ela não tem razão de reclamar porque ele lhe dá tudo o que precisa. A falta de diálogo se torna permanente frustração que prejudica a auto-estima da companheira. 

         Os homens que vivem relacionamentos falidos costumam dizer que suas companheiras estão sempre à beira  de um ataque  de nervos; que vivem repetindo as mesmas coisas; que enxergam  tudo de acordo com seus interesses. Ele, ao contrário, nunca tem problemas; não fala de suas dúvidas e raramente levanta uma questão polêmica. Viver com um homem tão resistente ao diálogo é muito difícil para uma mulher que gosta de falar dos seus sentimentos. O aparente exagero pode ser uma forma de buscar a solução de problemas que melhorarão o relacionamento do casal. Quando o marido não houve, a mulher começa a falar baixo, vai se irritando pouco-a-pouco e acaba gritando. Essa forma de reação possibilita ao home ganhar a discussão dizendo-se atacado. 

          Os maridos desenvolveram naturalmente várias maneiras para evitar discutir a relação que está desgastada. a/ O silêncio - Ele fica totalmente silencioso e não diz nada. Diante dessa situação, para ser ouvida, a mulher começa a berrar ou também se tranca em seus próprios pensamentos e assim o problema jamais será resolvido; b/ O ataque - O homem ataca a mulher quando esta tenta dizer-lhe que está magoada. Para silenciá-la ele a qualifica de idiota por falar  em mágoas ; é uma egressão irracional e ao mesmo tempo uma auto-defesa de quem se sente culpado; é a velha técnica de atacar para se defender.  c/ Mudando de assunto - Mesmo que a companheira esteja se descabelando para ser ouvida, ele muda de assunto; se ela insiste ele simplesmente nega que o problema existe e ignora o que a mulher está falando. d/ Acusando de implicância - Quando ela insiste em discutir os problemas conjugais ele vai logo dizendo que trata-se de implicância. Com essa atitude ele demonstra não valorizar o relacionamento de forma suficiente para preocupar-se com o que estrá martelando na cabeça da companheira. Obviamente essa afirmação tem o poder de irritar, principalmente porque é mais uma demonstração de que ele não está interessado em ouvir o que ela tem a dizer. e/ Acusá-la de estar equivocada - Muitos homens preferem fugir da discussão dizendo que seu desabafo é apenas fruto de sentimentos equivocados, afirmando que logo tudo passará. Ao afirmar que são opiniões "bobocas" o homem demonstra uma reação emocionalmente violenta. A discussão vai se avolumando e chega ao ponto do homem chamá-la de débil mental, maluca, etc. Ela então fica mais irritada e acaba gritando e aí o homem diz  que não está entendendo porque tanta gritaria. 

             Essa permanente recusa ao diálogo tem como consequência  uma inversão de valores que sai do amor para o ódio. Todas essas atitudes vão criando uma indiferença silenciosa que pouco a pouco cortam definitivamente a comunicação entre o casal. 

            Para a mulher resta três opções: 1/ resignar-se à situação e deixar as coisas andarem a seu modo; 2/ lutar permanentemente para salvar o casamento; 3/ abandonar o casamento e procurar um novo caminho. 

         Ao que parece, os homens continuam vivendo num tempo em que as mulheres eram obrigadas a suportá-los porque dependiam deles para se sustentar. Hoje, embora a maioria das mulheres continua ganhando menos que os homens, elas tem muito mais possibilidades de abandonar a casa levando consigo os filhos. Este novo fato lhe dá mais poder de barganha e escolha do seu próprio futuro. Por sua vez, os homens estão sentindo menos poder e tem dificuldade em aceitar a nova realidade. 

            É muito difícil para a mulher entender a incapacidade que o homem tem de ouvir. Elas compartilham suas dores  com as amigas e isto não acontece com o homem que ela ama. Muitas desistem e se fecham num mundo particular, onde o choro é a forma de extravasar seus sentimentos não compreendidos. Obviamente as mulheres não querem ser obrigadas a optar entre o conforto, a resignação ou a separação. O que elas desejam é uma relação respeitosa de diálogo e com igualdade emocional. Em outras palavras, o que elas querem é um ombro amigo e um ouvido disposto a escutá-las. 

             Por sua natureza, a mulher é mais sensível do que o homem e muitas vezes as coisas quer a magoam passam despercebidas pelo companheiro. Daí a importância de parar e ouvir suas queixas e desabafos. As mágoas não esclarecidas e os mal-entendidos vão se avolumando a ponto de chegar a um rompimento. A separação com mágoa é acompanhada de ressentimentos que se prolongam no tempo e continuarão causando problemas na vida dos dois. Portanto, dialoguem sempre. 

Nicéas Romeo Zanchett 

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